quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Alunos de Medicina da USP Bauru encerram greve de 7 dias

Alunos de Medicina da USP Bauru encerram greve de 7 dias
Estudantes de Medicina da USP Bauru durante assembleia que decidiu pelo fim da greve. Foto: Reprodução/redes sociais—📸 Fonte da imagem: sampi.net.br [(clique aqui para ver a matéria lá)]

Os estudantes da Faculdade de Medicina de Bauru da Universidade de São Paulo (FMBRU-USP) decidiram encerrar a greve que durou sete dias. A aprovação do fim da paralisação ocorreu em assembleia extraordinária realizada nesta quarta-feira (30), com 93% dos votos favoráveis.

A decisão foi tomada após três reuniões de negociação entre o Comitê de Greve, o Grupo de Trabalho e a Diretoria da faculdade. Segundo o movimento estudantil, a instituição assumiu o compromisso público de que não haverá retaliações aos participantes da paralisação. Além disso, 14 das 15 pautas propostas pelos alunos foram atendidas, de acordo com o grupo.

A greve teve início após um ato realizado no dia 21 de setembro. Na ocasião, os estudantes cobravam melhorias na infraestrutura do curso e nas condições de formação. No dia 23 de setembro, após a paralisação do dia 21, eles decidiram entrar em greve alegando falta de avanços nas conversas com a diretoria da faculdade.

Reivindicações

Entre as principais pautas do movimento estavam:

  • Reestruturação do internato, fase do curso na qual os alunos atuam diretamente na rede do Sistema Único de Saúde (SUS);
  • Expansão dos campos de estágio em Bauru;
  • Criação de um canal direto e permanente de comunicação com a administração, com respostas e acompanhamento dos encaminhamentos;
  • Mudanças na gestão da unidade, com a antecipação do processo eleitoral para a Diretoria da FMBRU, defendendo que a escolha da nova gestão seja feita por docentes da própria faculdade;
  • Maior transparência nas decisões da graduação, liberdade de expressão, direito ao contraditório e participação efetiva nos espaços institucionais;
  • Reorganização da preceptoria — acompanhamento realizado por médicos e outros profissionais durante as atividades práticas — e maior padronização das competências trabalhadas nos diferentes campos de estágio;
  • Ampliação dos locais de estágio e maior integração entre a faculdade e a rede pública de saúde do município;
  • Inclusão de capacitações específicas, como o curso ACLS (Suporte Avançado de Vida em Cardiologia), para estudantes do 6º ano;
  • Ampliação do funcionamento da Tutoria como espaço de estudo e convivência dos alunos;
  • Garantia de transporte adequado e apoio institucional para alimentação quando os estudantes precisarem realizar atividades e estágios fora de Bauru.

Os estudantes também reivindicavam que não houvesse retaliações acadêmicas, administrativas ou disciplinares contra quem participou da manifestação de 21 de setembro ou aderiu à greve, além do abono das faltas decorrentes da paralisação, sem prejuízo acadêmico.

Posicionamentos da instituição

Em nota, a Faculdade de Medicina de Bauru informou que mantém diálogo contínuo com os discentes por meio de comissões e canais oficiais. A instituição destacou que atua para ampliar as atividades acadêmicas em conjunto com o Hospital das Clínicas de Bauru e que o curso obteve recentemente a nota máxima na avaliação do Enamed. A direção da FMBRU-USP informou ainda que implementou 15 programas de residência médica e registrou avanço nos conceitos dos programas de pós-graduação stricto sensu.

O Hospital das Clínicas de Bauru informou, por meio de nota, que o atendimento aos pacientes e as atividades assistenciais da unidade funcionaram normalmente durante o período de paralisação dos estudantes, visto que a assistência é realizada por profissionais contratados do quadro do hospital.

A FMBRU foi criada oficialmente pela USP em março de 2024 e, conforme a resolução que instituiu a unidade, passou a ser dirigida por um diretor pro tempore indicado pelo reitor até a designação de um diretor. A página oficial da faculdade informa que a unidade permanece em fase de consolidação de sua estrutura e que José Sebastião dos Santos foi nomeado diretor pro tempore pela Reitoria.

O encerramento da greve representa um alívio para a comunidade acadêmica e para a rede pública de saúde do município, que depende da integração com a universidade para a formação de novos médicos e para a qualificação dos serviços prestados à população.

Entenda os termos:

  • Internato: fase do curso de Medicina em que os alunos atuam diretamente na rede de saúde, sob supervisão, para aprender na prática.
  • Preceptoria: acompanhamento feito por médicos e outros profissionais durante as atividades práticas dos estudantes.
  • ACLS (Suporte Avançado de Vida em Cardiologia): curso que ensina procedimentos para atender emergências cardíacas.
  • Enamed: avaliação nacional que mede a qualidade dos cursos de Medicina no Brasil.
  • Pós-graduação stricto sensu: modalidade de pós-graduação voltada à formação acadêmica e à pesquisa, como mestrado e doutorado.
  • Diretor pro tempore: dirigente nomeado temporariamente para responder pela unidade até a escolha do titular definitivo.

FONTES: Fonte 1: https://sampi.net.br/bauru/noticias/3008228/bauru-e-regiao/2026/09/apos-7-dias-termina-a-greve-dos-alunos-de-medicina-da-usp-bauru

Fonte 2: https://96fmbauru.com.br/apos-7-dias-termina-a-greve-dos-alunos-de-medicina-da-usp-bauru

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