quinta-feira, 5 de novembro de 2026
Política· ⏱ 5 minutos de leitura

Defesa de Hamilton pede que apuração sobre lixo de Bauru vá ao TJ-SP

Defesa de Hamilton pede que apuração sobre lixo de Bauru vá ao TJ-SP
Hamilton Agle, ex-CEO da Estre Ambiental. Reprodução/sampi.net.br—📸 Fonte da imagem: sampi.net.br [(clique aqui para ver a matéria lá)]

A defesa de Hamilton Libório Agle, ex-CEO da Estre Ambiental e investigado na Operação Cavalo de Troia, protocolou nesta terça-feira (3) uma petição em que pede à Justiça que a apuração sobre supostas irregularidades na concessão dos serviços de resíduos sólidos (lixo) de Bauru seja enviada ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). O argumento é que elementos reunidos nas investigações indicariam possível envolvimento da prefeita Suéllen Rosim (PSD) que, como chefe do Executivo municipal, tem prerrogativa de foro — ou seja, o direito de ser julgada por um tribunal de instância superior, e não por um juiz de primeira instância.

A petição, assinada pelos advogados Pierpaolo Cruz Bottini e Igor Sant'Anna Tamasauskas, também solicita o sobrestamento (adiamento) de todas as diligências investigativas e medidas cautelares até que seja definida a competência para conduzir o caso. O pedido ressalva os atos necessários à preservação das provas já obtidas.

No documento, a defesa apresenta uma série de diálogos entre Hamilton e a ex-secretária municipal do Meio Ambiente Cilene Chabuh Bordezan. Nas conversas, a prefeita é mencionada em situações relacionadas à concessão do lixo, a virtuais pagamentos, a encontros que seriam reservados e a possíveis tratativas envolvendo o governo municipal.

Os advogados sustentam que as referências a Suéllen não podem ser tratadas como simples comentários laterais de terceiros, como teria considerado anteriormente o Ministério Público (MP). Para a defesa, os elementos justificariam a análise do caso pelo tribunal competente para julgar autoridades com prerrogativa de foro. A petição não afirma que as conversas, por si só, comprovem a prática de crimes pela prefeita, mas argumenta que existem indícios suficientes para que a questão seja examinada pelo TJ-SP.

Diálogos destacados

Um dos diálogos citados ocorreu em 4 de agosto de 2026, entre Hamilton e Cilene. Na conversa, o empresário fala sobre a intenção de entregar um presente à prefeita e menciona um encontro que teria sido previamente combinado para o dia 12, em São Paulo. Hamilton sugere que Cilene converse reservadamente com Suéllen para antecipar o encontro, aproveitando uma viagem que ele faria à região. Ele afirma que gostaria de entregar pessoalmente uma lembrança pelo aniversário de Bauru.

O diálogo ganha outro significado, segundo a interpretação da defesa, quando Hamilton pergunta sobre a possibilidade de também levar um presente para o filho da prefeita, que está grávida. Cilene sugere que ele procure uma loja infantil. Em determinado momento, quando Hamilton utiliza a expressão "presentinho", Cilene ri e faria referência a dinheiro, conforme a transcrição apresentada na petição a partir de relatório do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).

Outro trecho considerado relevante pela defesa foi registrado em 28 de agosto de 2026. Na conversa, Hamilton demonstra preocupação com a necessidade de Suéllen ser informada sobre uma possível cobrança financeira relacionada às tratativas em andamento. Ele diz que a prefeita precisava ficar ciente de que eventualmente poderia surgir uma conta a ser paga e afirma que ela própria teria aberto caminho para sua atuação nos bastidores políticos.

Na transcrição reproduzida na petição, Hamilton afirma: "Ela mesmo abriu pra mim, disse pô, está trabalhando nos bastidores político pra resolver". Mais adiante, segundo a petição, ao discutir a possibilidade de divisão dos valores, Cilene afirma que a parte da prefeita teria de ser diminuída. Hamilton responde que ela deveria saber que havia ajudado e que essa ajuda teria um custo.

A defesa interpreta o diálogo como indicativo de conversas reservadas entre Suéllen e Hamilton e de possível empenho pessoal da prefeita em atos relacionados aos fatos investigados. A existência de uma cobrança ou de um eventual pagamento indevido, entretanto, não está comprovada apenas pela transcrição. A petição apresenta a conversa como elemento que, na avaliação dos advogados, precisa ser esclarecido pelas autoridades.

Mensagens anteriores

A defesa também recupera mensagens de 30 de março de 2026, extraídas do celular de Cilene, no contato identificado como "Beóh", atribuído a Hamilton. Na ocasião, a ex-secretária escreve que a "Chefa" havia chamado e especula que o motivo seria a demora na liberação de alguma providência. Em seguida, pede que Hamilton participe de uma ligação em viva-voz e diga que o processo estava parado por incompetência e que seria liberado até o dia seguinte. A petição identifica a expressão "Chefa" como referência à prefeita.

Os advogados também citam mensagens de 13 de janeiro de 2026, nas quais Cilene afirma ter conversado com sua "Chefa" a respeito de pagamentos. A defesa sustenta que a referência também seria a Suéllen Rosim. Além disso, menciona outros diálogos, de 22 de maio e 3 de agosto, que, segundo a interpretação dos advogados, reforçariam a necessidade de apurar a atuação da prefeita nas tratativas.

A petição também questiona a forma como o Gaeco delimitou o alcance das investigações. Os advogados argumentam que, embora o Ministério Público tenha concentrado a apuração em outros agentes públicos e empresários, os próprios elementos apresentados pela acusação conteriam referências à participação ou à ciência da prefeita. Nesse contexto, a defesa lembra que Renato Purini, marido de Suéllen e então secretário municipal de Governo, foi preso na segunda fase da Operação Cavalo de Troia, deflagrada em 16 de outubro. Também destaca que mandados de busca e apreensão foram cumpridos na residência da prefeita.

Entenda os termos:

  • Prerrogativa de foro: direito de uma autoridade ser julgada por um tribunal de instância superior, e não por um juiz de primeira instância.
  • Sobrestamento: adiamento de um processo ou de diligências até que uma questão anterior seja definida.
  • Diligências investigativas: atos de apuração realizados durante a investigação, como oitivas e buscas.
  • Medidas cautelares: decisões judiciais tomadas durante a investigação para evitar riscos ao processo.
  • Gaeco: Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, do Ministério Público.

FONTES: Fonte 1: https://sampi.net.br/bauru/noticias/3016111/bauru-e-regiao/2026/11/hamilton-pede-envio-de-apuracao-ao-tj-e-aponta-citacoes-a-suellen

Fonte 2: https://96fmbauru.com.br/hamilton-pede-envio-de-apuracao-ao-tj-e-aponta-citacoes-a-suellen

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