Uma ferramenta de inteligência artificial criada pela rede hoteleira Accor colocou Bauru entre as dez cidades brasileiras com potencial para receber novos empreendimentos hoteleiros. A lista inclui também Macapá, Anápolis, Marabá, Franca, Três Lagoas, Linhares, Ipatinga, Cachoeiro de Itapemirim e Lages.
O Índice de Desenvolvimento Accor Brasil (IDAB) analisa 1.209 municípios e serve como uma primeira triagem para a expansão da rede. A ferramenta cruza dados econômicos, demográficos e de infraestrutura para identificar onde vale a pena aprofundar a análise antes de um eventual investimento.
A presença na lista não significa que a Accor tenha decidido construir hotéis em todas essas cidades. O índice apenas direciona o olhar da equipe de desenvolvimento e as conversas com investidores e franqueados.
"Mais do que uma classificação entre cidades, o índice cria uma base técnica que ajuda a identificar mercados com potencial, priorizar onde vale aprofundar a análise e embasar decisões de expansão", afirma Abel Castro, chief development officer (diretor de desenvolvimento) da Accor Américas.
A Accor possui cerca de 320 hotéis no Brasil e mais de 5,8 mil unidades em operação em mais de 110 países. Nas Américas, a divisão Premium, Midscale & Economy reúne cerca de 450 hotéis.
No segmento econômico, estão marcas como ibis, ibis Styles e ibis budget. Na categoria midscale (intermediária), aparecem Novotel, Mercure, Tribe e Adagio. No segmento premium estão marcas como Pullman, Grand Mercure e Swissôtel. Já a divisão de Luxo e Lifestyle inclui marcas como Fairmont, MGallery, Faena e Mama Shelter.
O Brasil é um dos principais mercados da companhia na região. No primeiro semestre de 2026, as Américas registraram crescimento de 4,8% no RevPAR, indicador que mede a receita por quarto disponível, na comparação com o segundo trimestre de 2025. O Brasil responde por 56% da receita de quartos da região.
A estratégia brasileira combina grandes centros urbanos com destinos de lazer e cidades médias ligadas a atividades econômicas como agronegócio, logística e indústria. É nesse segundo grupo que o índice ganha relevância, ao permitir procurar oportunidades fora dos mercados em que a presença hoteleira internacional já está consolidada.
O IDAB atribui até 1.000 pontos a cada município. A metodologia combina dez critérios, que vão de características econômicas e demográficas a indicadores relacionados à capacidade de geração de demanda hoteleira.
Entre os dados analisados estão população, PIB e participação do setor de serviços. A ferramenta também considera fatores como movimentação de aeroportos, presença de universidades, hospitais e shopping centers, além do potencial turístico da cidade.
A ferramenta é utilizada atualmente pela divisão Premium, Midscale & Economy da Accor. O índice, porém, não determina qual marca deve ser instalada em cada cidade. Depois da primeira triagem, a companhia analisa características específicas do mercado, como perfil dos viajantes, concorrência, oferta hoteleira existente e localização do futuro empreendimento.
A Accor não classifica as cidades de acordo com o segmento de hotel que receberiam. Isso significa que um município listado pode, posteriormente, ser considerado adequado para um ibis, um Novotel, um Mercure ou outra marca da divisão, dependendo das características do projeto. O segmento de Luxo & Lifestyle não entra no IDAB, pois, segundo a companhia, esse mercado tem uma dinâmica diferente, com menos destinos capazes de comportar hotéis desse perfil.
O índice já ajudou a encontrar novos mercados. Entre os exemplos estão Santarém (PA), Luís Eduardo Magalhães (BA) e Araxá (MG), onde há hotéis da companhia atualmente em construção. Outro caso citado é o Mato Grosso, que passou de três para 14 contratos hoteleiros em cinco anos, com o índice ajudando na identificação e priorização dos mercados considerados mais promissores.
O movimento mostra uma mudança na forma como a companhia procura novas praças. Em vez de depender apenas de oportunidades apresentadas por investidores ou desenvolvedores locais, a Accor usa dados para indicar onde a demanda potencial pode justificar uma investigação mais detalhada. Depois dessa etapa, entram as análises tradicionais de mercado e a avaliação do modelo de negócio.
"Cada marca do nosso portfólio tem uma proposta específica e atende a diferentes perfis de mercado e de público. A escolha depende justamente da combinação entre as características, o potencial de cada localidade e o perfil do empreendimento", afirma Castro.
A ferramenta, portanto, não substitui a decisão de investimento. Ela tenta responder a uma pergunta anterior: quais cidades merecem entrar no radar da Accor antes mesmo de surgir uma proposta concreta para construir um hotel?
Para Bauru, a inclusão no IDAB sinaliza que a cidade reúne indicadores que despertam o interesse de uma das maiores redes hoteleiras do mundo. A ferramenta, porém, é apenas o primeiro passo: qualquer decisão de investimento dependerá de análises mais aprofundadas e de propostas concretas de investidores ou franqueados.
