quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Morre Fábio Reis, paciente que tocou violão durante cirurgia no cérebro em Marília

Morre Fábio Reis, paciente que tocou violão durante cirurgia no cérebro em Marília
Fábio Aparecido Pereira dos Reis tocou violão e cantou Legião Urbana durante cirurgia para retirada de tumor cerebral. Reprodução/g1 Bauru e Marília—📸 Fonte da imagem: g1 Bauru e Marília [(clique aqui para ver a matéria lá)]

O supervisor de engenharia Fábio Aparecido Pereira dos Reis, de 51 anos, morreu nesta segunda-feira (2). Ele ficou conhecido por tocar violão e cantar durante uma cirurgia no cérebro realizada na Santa Casa de Marília (SP). O morador de Pompeia (SP) lutava contra um glioma, um tipo agressivo de câncer cerebral.

O sepultamento de Fábio foi realizado na manhã desta terça-feira (3), no Cemitério Municipal de Pompeia. Segundo a família, a música era uma das principais marcas de sua vida pessoal. Ele costumava se apresentar informalmente em barzinhos, festas e encontros de família no interior de São Paulo.

“Ele sempre gostou muito de tocar violão, guitarra e cantar. Já fez shows em barzinhos, festas de aniversário e churrascos de família e amigos", contou a viúva, Edineuza Reis, de 55 anos, em entrevista ao g1.”

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Diagnóstico e primeiros sintomas

A rotina de Fábio mudou de forma repentina pouco antes da cirurgia. Os primeiros sinais de alerta foram dores de cabeça frequentes, episódios de confusão mental, alterações na fala e falhas de memória. Ele já havia passado por cardiologista, gastroenterologista e neurologista e ficou afastado do trabalho por uma semana.

Foi a esposa quem percebeu que ele estava mais confuso e o levou para a Santa Casa de Marília. Lá, uma tomografia de crânio revelou o tumor. Ele foi direto para a UTI, porque o cérebro precisava desinchar antes da cirurgia. O diagnóstico de glioma foi confirmado no dia 2 de setembro. Seis dias depois, em 8 de setembro, ele entrou no centro cirúrgico.

Acordado na sala de cirurgia

Para reduzir os riscos de sequelas definitivas, a equipe médica optou pela técnica de craniotomia com o paciente acordado. O neurocirurgião responsável, Ruy Okaji, explicou que o método permite testar áreas nobres do cérebro enquanto o tumor é retirado.

Ao saber do histórico de Fábio com os palcos e rodas de viola, os especialistas integraram o instrumento às etapas de avaliação neurológica. Ele foi inicialmente sedado para a abertura do crânio. Em seguida, foi despertado para responder a testes de fala, raciocínio, cálculos simples e memória. Por fim, recebeu o violão nos braços e cantou "Tempo Perdido", da banda Legião Urbana, emocionando os profissionais na sala cirúrgica.

“Enquanto a linguagem era testada, o cérebro foi todo mapeado, sendo possível identificar o tumor e as áreas sadias, além de planejar o procedimento de ressecção. A importância do paciente estar acordado em algumas cirurgias neurológicas é a possibilidade de mapear as áreas eloquentes do cérebro. Assim, é possível retirar a maior quantidade possível do tumor com o menor risco de sequelas", destacou Okaji.”

g1.globo.com

Apesar de o procedimento ter transcorrido dentro do planejamento da equipe médica, o quadro clínico do supervisor de engenharia se agravou nas semanas seguintes, durante a sequência do tratamento oncológico. Fábio não resistiu ao tratamento e às complicações pós-operatórias.

Entenda os termos:

  • Glioma: tipo agressivo de câncer que se forma no cérebro.
  • Craniotomia: cirurgia em que o crânio é aberto para acessar o cérebro.
  • Áreas eloquentes: regiões do cérebro responsáveis por funções essenciais, como fala e movimento.
  • Ressecção: retirada cirúrgica do tumor.

A história de Fábio ganhou repercussão em Pompeia e em Marília, onde foi realizado o procedimento. O caso chamou a atenção para a técnica da cirurgia com o paciente acordado, usada para preservar funções cerebrais durante a retirada de tumores.

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