O supervisor de engenharia Fábio Aparecido Pereira dos Reis, de 51 anos, morreu nesta segunda-feira (2). Ele ficou conhecido por tocar violão e cantar durante uma cirurgia no cérebro realizada na Santa Casa de Marília (SP). O morador de Pompeia (SP) lutava contra um glioma, um tipo agressivo de câncer cerebral.
O sepultamento de Fábio foi realizado na manhã desta terça-feira (3), no Cemitério Municipal de Pompeia. Segundo a família, a música era uma das principais marcas de sua vida pessoal. Ele costumava se apresentar informalmente em barzinhos, festas e encontros de família no interior de São Paulo.
“Ele sempre gostou muito de tocar violão, guitarra e cantar. Já fez shows em barzinhos, festas de aniversário e churrascos de família e amigos", contou a viúva, Edineuza Reis, de 55 anos, em entrevista ao g1.”
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Diagnóstico e primeiros sintomas
A rotina de Fábio mudou de forma repentina pouco antes da cirurgia. Os primeiros sinais de alerta foram dores de cabeça frequentes, episódios de confusão mental, alterações na fala e falhas de memória. Ele já havia passado por cardiologista, gastroenterologista e neurologista e ficou afastado do trabalho por uma semana.
Foi a esposa quem percebeu que ele estava mais confuso e o levou para a Santa Casa de Marília. Lá, uma tomografia de crânio revelou o tumor. Ele foi direto para a UTI, porque o cérebro precisava desinchar antes da cirurgia. O diagnóstico de glioma foi confirmado no dia 2 de setembro. Seis dias depois, em 8 de setembro, ele entrou no centro cirúrgico.
Acordado na sala de cirurgia
Para reduzir os riscos de sequelas definitivas, a equipe médica optou pela técnica de craniotomia com o paciente acordado. O neurocirurgião responsável, Ruy Okaji, explicou que o método permite testar áreas nobres do cérebro enquanto o tumor é retirado.
Ao saber do histórico de Fábio com os palcos e rodas de viola, os especialistas integraram o instrumento às etapas de avaliação neurológica. Ele foi inicialmente sedado para a abertura do crânio. Em seguida, foi despertado para responder a testes de fala, raciocínio, cálculos simples e memória. Por fim, recebeu o violão nos braços e cantou "Tempo Perdido", da banda Legião Urbana, emocionando os profissionais na sala cirúrgica.
“Enquanto a linguagem era testada, o cérebro foi todo mapeado, sendo possível identificar o tumor e as áreas sadias, além de planejar o procedimento de ressecção. A importância do paciente estar acordado em algumas cirurgias neurológicas é a possibilidade de mapear as áreas eloquentes do cérebro. Assim, é possível retirar a maior quantidade possível do tumor com o menor risco de sequelas", destacou Okaji.”
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Apesar de o procedimento ter transcorrido dentro do planejamento da equipe médica, o quadro clínico do supervisor de engenharia se agravou nas semanas seguintes, durante a sequência do tratamento oncológico. Fábio não resistiu ao tratamento e às complicações pós-operatórias.
Entenda os termos:
- Glioma: tipo agressivo de câncer que se forma no cérebro.
- Craniotomia: cirurgia em que o crânio é aberto para acessar o cérebro.
- Áreas eloquentes: regiões do cérebro responsáveis por funções essenciais, como fala e movimento.
- Ressecção: retirada cirúrgica do tumor.
A história de Fábio ganhou repercussão em Pompeia e em Marília, onde foi realizado o procedimento. O caso chamou a atenção para a técnica da cirurgia com o paciente acordado, usada para preservar funções cerebrais durante a retirada de tumores.
