O primeiro Grupo Escolar de Bauru foi inaugurado em 7 de junho de 1913, na avenida Rodrigues Alves. A instituição nasceu do esforço de autoridades e moradores para ampliar o acesso à educação em uma cidade que começava a se desenvolver. Antes disso, Bauru contava com pequenas escolas isoladas, existentes desde o final do século XIX, que funcionavam em áreas urbanas, bairros, distritos, sítios e fazendas.
Nessas escolas isoladas, o ensino era frequentemente multisseriado: um único professor, muitas vezes sem formação específica, ensinava conteúdos diferentes a estudantes de idades variadas na mesma sala. Parte delas era mantida pela administração municipal, que remunerava os professores responsáveis pelo ensino primário. Com o aumento das matrículas, esse modelo passou a exigir uma estrutura maior e mais organizada, tornando a criação de um Grupo Escolar uma prioridade das autoridades locais.
A implantação da unidade dependeu de articulações entre a Câmara Municipal e o Governo do Estado de São Paulo. Na época, a construção de um Grupo Escolar no interior exigia que o município disponibilizasse um terreno para a obra. Em sessão extraordinária realizada em 15 de outubro de 1910, Azarias Ferreira Leite, então presidente da Câmara, defendeu a oferta de uma área para a construção da escola. A proposta foi aprovada por unanimidade, e o prefeito Francisco Gomes dos Santos recebeu autorização para escolher e adquirir o terreno necessário.
A área sugerida pelo vereador João Augusto Pereira da Silva era um terreno baldio na avenida Alfredo Maia, atual Rodrigues Alves, entre as esquinas das ruas Antônio Alves e Gustavo Maciel. O edifício foi construído em alvenaria de tijolos, com características arquitetônicas do ecletismo, estilo que combina diferentes referências ornamentais. Entre seus elementos estão as aberturas com vergas arredondadas, a cobertura de quatro águas com telhas francesas e a platibanda decorada. A construção também possui porão e foi implantada recuada em relação aos limites frontal e laterais do terreno.
O primeiro diretor foi o professor Antônio Francisco Redondo. A expansão da instituição foi rápida: já em 1914, a escola contava com 14 classes e um total de 621 alunos, números que demonstram a demanda por educação formal em Bauru naquele período. Em abril de 1939, a instituição recebeu o nome de Grupo Escolar Rodrigues de Abreu, em homenagem ao poeta.
Com o crescimento de Bauru, a escola foi transferida, na década de 1950, para um prédio mais moderno na rua Virgílio Malta esquina com a avenida Duque de Caxias. Atualmente, esse prédio abriga a Escola Técnica Estadual (Etec) de Bauru. A área foi permutada com a Irmandade do Colégio São José, que passou a ocupar o prédio da avenida Rodrigues Alves, com a primeira faculdade da cidade, a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do Sagrado Coração de Jesus, conhecida como Fafil. Com a sede da faculdade transferida para outro prédio, na rua Irmã Arminda, o local passou a ser sede do Colégio São José, primeiro colégio particular da cidade.
A mudança de uso do edifício original marcou uma nova fase de sua trajetória: o espaço que havia abrigado a primeira grande instituição pública de ensino primário de Bauru passou a integrar a primeira faculdade da cidade.
A relevância histórica e arquitetônica do edifício levou à sua proteção pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru (CODEPAC). De acordo com os dados do tombamento, o terreno possui 7.651,25 metros quadrados, enquanto a área construída é de 492 metros quadrados. A proteção foi estabelecida pelo Decreto Municipal nº 9.415, de 7 de abril de 2003.
O tombamento abrange a fachada frontal voltada para a avenida Rodrigues Alves e as fachadas laterais voltadas para as ruas Antônio Alves e Gustavo Maciel. A preservação inclui o conjunto arquitetônico e seus volumes, além de elementos originais, como paredes, portas e janelas de madeira, ornamentos de ferro e argamassa e escadas. Mais do que uma antiga construção, o prédio representa uma etapa da história da educação pública bauruense. Sua preservação mantém viva a memória de uma instituição que contribuiu para a formação de gerações de moradores e para a consolidação do ensino formal na cidade.


