A Polícia Civil de Bauru pediu à Justiça a prorrogação, por mais 30 dias, da prisão temporária de João Vitor de Andrade Lima, de 23 anos, suspeito de matar a motorista de aplicativo Pâmela Letícia Nolastro Cunha, de 29 anos. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (4).
Segundo a investigação, dados enviados pela Uber à polícia mostram que o suspeito cancelou três chamadas de viagens que seriam feitas por motoristas homens antes de aceitar a corrida com Pâmela. O registro consta no histórico de solicitações feitas pelo investigado no dia do crime.
Em depoimento, João Vitor confessou o assassinato e disse que agiu para roubar o carro da vítima. Ele afirmou que pretendia repassar o veículo a traficantes como "moeda de troca" para o transporte de drogas no Paraguai, pelo valor de R$ 2 mil.
O crime aconteceu no dia 7 de outubro. Pâmela desapareceu após aceitar uma corrida que partiu do Jardim Redentor, em Bauru, com destino à região do Museu do Café, em Piratininga (SP). Câmeras de segurança registraram o momento em que o suspeito atravessou a Avenida Rafael Pereira Martini e entrou no veículo da motorista.
Mensagens enviadas por ela em um aplicativo de conversas mostraram que o passageiro estava com dificuldades para pagar a viagem e indicaram a localização aproximada onde ela se encontrava. O corpo de Pâmela foi localizado no dia seguinte, 8 de outubro, em uma estrada de terra na área rural de Piratininga, com marcas de facadas. O carro foi encontrado abandonado no mesmo dia, no Jardim Redentor, com manchas de sangue no interior.
A faca usada no crime foi apreendida pelas equipes da 3ª Delegacia de Homicídios da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic). Inicialmente, o suspeito negou participação direta, mas confessou o crime após ser confrontado com as imagens de monitoramento. O caso segue sob investigação como latrocínio, que é o roubo seguido de morte.
O suspeito está preso desde o dia 8 de outubro. A prisão temporária é uma medida usada durante a investigação, com prazo definido, e pode ser prorrogada pela Justiça. A polícia agora aguarda a decisão sobre o pedido de extensão por mais 30 dias.
O caso teve grande repercussão em Bauru e região, com motoristas de aplicativo fazendo homenagens à colega. A morte de Pâmela levantou discussões sobre a segurança dos profissionais que trabalham com transporte por aplicativo, especialmente em corridas para áreas mais afastadas.
