A Secretaria Municipal de Saúde de Bauru apresentou nesta quarta-feira (30) os dados do segundo quadrimestre de 2026, período que vai de maio a agosto. A prestação de contas ocorreu em audiência pública na Câmara Municipal e reuniu indicadores financeiros, de atendimento e de vacinação.
Até agosto, o município havia aplicado 22,57% das receitas vinculadas em Ações e Serviços Públicos de Saúde (ASPS), que são os gastos obrigatórios com saúde pública. O percentual está acima do mínimo constitucional de 15%, mas representa uma redução em relação ao mesmo período de 2025, quando Bauru havia aplicado 24,48%.
A receita acumulada até agosto chegou a R$ 956,4 milhões, alta de 8,89% na comparação com os R$ 878,4 milhões registrados no mesmo período do ano passado. Já as despesas liquidadas pela Secretaria de Saúde somaram R$ 215,8 milhões, crescimento de apenas 0,45% em relação a 2025.
Um dos dados que chamou atenção na apresentação foi a redução de 71,14% dos recursos classificados como Atenção Básica. Segundo a Secretaria, porém, a queda não representa uma redução equivalente nos investimentos da área. A mudança ocorreu após uma recomendação do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), órgão que fiscaliza as contas públicas, para que as despesas fossem discriminadas de maneira mais específica. Até 2025, segundo a pasta, praticamente todos os gastos com ações e serviços públicos de saúde eram contabilizados nessa categoria.
Atendimentos na rede
Entre maio e agosto, as Unidades Básicas de Saúde (UBS) registraram 102.610 atendimentos, alta de 0,5% em relação ao primeiro quadrimestre. O número de consultas médicas, entretanto, caiu 2,8%.
Nas Unidades de Saúde da Família (USF), foram 73.706 atendimentos, aumento de 2,4%. As consultas médicas passaram de 42.259 para 42.283.
O Consultório de Rua realizou 1.234 atendimentos no período, enquanto os Agentes Comunitários de Saúde fizeram 220.205 visitas domiciliares. Também houve aumento nos atendimentos odontológicos: 12% nas UBS e 1,2% nas USF.
Outro destaque foi o Centro de Diagnóstico por Imagem de Bauru, que passou de 12.523 para 15.912 exames entre o primeiro e o segundo quadrimestres, crescimento de 27,1%. Segundo a Secretaria, o aumento está relacionado a recursos provenientes de emendas parlamentares, que são verbas indicadas por deputados e senadores.
Na assistência farmacêutica, a quantidade de medicamentos dispensados pela atenção básica subiu de 22,7 milhões para 25,4 milhões. O valor correspondente passou de R$ 4 milhões para R$ 6,2 milhões. Nas unidades de urgência e emergência, por outro lado, a quantidade de medicamentos distribuídos caiu de 452.979 para 401.509.
Cobertura vacinal
Os indicadores apresentados pela Secretaria também mostram que Bauru ainda não alcançou as metas de cobertura vacinal estabelecidas pelo Ministério da Saúde.
Entre crianças menores de um ano, a cobertura chegou a 94,6% para a Hepatite B e 94% para a BCG. A menor taxa foi registrada para a vacina contra a febre amarela, com 79,8%.
Entre crianças com mais de um ano, a vacina tríplice viral, contra sarampo, caxumba e rubéola, atingiu 91,5%. Já a cobertura contra a poliomielite ficou em 77,7%.
Os índices também ficaram abaixo de 80% em algumas vacinas destinadas a grupos específicos. A primeira dose contra a dengue alcançou 55,1% de cobertura, enquanto a segunda chegou a apenas 28%. A vacinação contra o HPV atingiu 67% entre meninos e 76,9% entre meninas. Entre gestantes, a cobertura da dTPa ficou em 78%.
De acordo com Meire Belchior Pranuvi, coordenadora da Vigilância em Saúde, o município tem adotado medidas para tentar ampliar a vacinação, como a abertura de salas de vacina durante ações realizadas nas unidades e o levantamento de crianças com a carteira de vacinação atrasada. Também são realizadas visitas a escolas para identificar estudantes com imunização pendente.
Segundo a coordenadora, a redução da cobertura vacinal começou antes da pandemia de Covid-19 e se agravou durante o período.
A audiência também apresentou dados sobre a rede de urgência e emergência, saúde mental, atendimento a pessoas travestis e transexuais, assistência a pessoas com deficiência e outros indicadores da rede municipal.
Entenda os termos:
- ASPS: Ações e Serviços Públicos de Saúde, os gastos obrigatórios com saúde que a prefeitura deve aplicar.
- Receitas vinculadas: dinheiro que, por lei, só pode ser usado em saúde.
- Atenção Básica: atendimento inicial ao paciente, como consultas e vacinas nas UBS.
- TCE-SP: Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, órgão que fiscaliza as contas públicas.
- Emendas parlamentares: verbas indicadas por deputados e senadores para obras ou serviços.
- dTPa: vacina que protege contra difteria, tétano e coqueluche.
Para Bauru, os números mostram que a cidade cumpre o mínimo exigido por lei para gastos com saúde, mas ainda enfrenta dificuldades para atingir as metas de vacinação, especialmente entre crianças e grupos específicos. A redução de recursos na Atenção Básica e a queda na cobertura de algumas vacinas exigem atenção das autoridades e da população.
