A apuração das Eleições Gerais de 2026, divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), confirmou que Bauru elegeu apenas uma das 22 candidaturas registradas no município para o Congresso Nacional ou para a Assembleia Legislativa de São Paulo. Com 99,99% das urnas apuradas, a cidade garantiu uma vaga de deputado federal, mas nenhuma de deputado estadual. O resultado mantém a dificuldade histórica de Bauru em transformar seu peso eleitoral em representação parlamentar.
Capitão Augusto (PL), que tem domicílio eleitoral em Bauru, foi reeleito para o quarto mandato na Câmara dos Deputados. Ele somava 153.745 votos em todo o Estado de São Paulo, ficando entre os deputados federais eleitos por São Paulo. A versão da rádio 96FM aponta uma pequena divergência: 153.735 votos. Como os números são muito próximos, prevalece o dado mais recente da apuração. Apesar da votação estadual expressiva, Capitão Augusto obteve apenas 4.508 votos no município de Bauru, o que indica que sua reeleição não representou uma mobilização expressiva do eleitorado local.
O resultado mais expressivo entre os demais candidatos locais foi o de Eduardo Borgo (Novo). O vereador de Bauru recebeu 48.345 votos em todo o Estado, dos quais aproximadamente 32 mil foram em Bauru. Ele terminou como o terceiro candidato mais votado do Novo em São Paulo. Como o partido elegeu duas cadeiras — Marina Helena e Adriana Ventura —, Borgo ficou como primeiro suplente da legenda, pela ordem de votação. A votação de Borgo chama atenção também pela distância para os demais candidatos ligados a Bauru. Ele teve mais que o dobro dos votos obtidos pelo terceiro colocado entre os candidatos locais, Rodrigo Agostinho (PSB), que somou 18.461 votos em Bauru. Na sequência apareceram André Maldonado (PP), com 14.956, e Dr. Raul (Cidadania), com 14.199.
O desempenho, contudo, não foi suficiente para transformar a votação individual de Borgo em uma cadeira. Na eleição proporcional, a distribuição das vagas considera o desempenho dos partidos e federações, além da votação dos candidatos. No caso do Novo, as duas cadeiras foram preenchidas por Marina Helena, com 230.866 votos, e Adriana Ventura, com 69.083. Borgo, com 48.345, ficou imediatamente atrás das duas eleitas na lista do partido.
Sem deputado estadual
Se na disputa federal Bauru garantiu uma cadeira, o mesmo não ocorreu na Assembleia Legislativa. Nenhum dos dez candidatos a deputado estadual ligados ao município foi eleito. O mais votado foi Anderson Prado (MDB), com 41.648 votos. Ele foi seguido por Estela Almagro (PT), com 31.151; Junior Rodrigues (PSD), com 19.561; Junior Lokadora (Podemos), com 18.749; e Lúcia Rosim (PSD), com 16.400. Nenhum deles alcançou uma das 94 cadeiras da Assembleia.
Votos de cada candidato de Bauru
Confira abaixo a votação de todos os candidatos ligados ao município, conforme a apuração:
FEDERAL
- Capitão Augusto (PL): 153.745
- Eduardo Borgo (Novo): 48.345
- Rodrigo Agostinho (PSB): 18.461
- André Maldonado (PP): 14.956
- Dr. Raul (Cidadania): 14.199
- Dário Dudario (PSD): 2.957
- Natalino da Pousada (PDT): 1.317
- Graziela Galvão (PL): 974
- Ricardo Amantini Filho (União): 838
- Adriana Perfeito (Avante): 563
- Anilde Branca (Republicanos): 112
- Paulo Lago (PCO): não aparece na contagem
ESTADUAL
- Anderson Prado (MDB): 41.648
- Estela Almagro (PT): 31.151
- Junior Rodrigues (PSD): 19.561
- Jr Lokadora (Podemos): 18.749
- Lúcia Rosim (PSD): 16.400
- Thaís Viotto (PSB): 4.298
- Marcela Afonso (Solid.): 3.565
- Ivo Leite (Cidadania): 2.051
- Thiago Lira (PRD): 579
- Poeta (PSDB): 563
Candidatos de outras cidades da região
A apuração também divulgou os votos de candidatos de outras cidades da região. Em Jaú, os mais votados a deputado federal foram Paulo Soares (Podemos), com 39.794 votos; Juliana Fabre (PL), com 10.511; Repórter Rafaela Hernandez (PL), com 2.795; Dani Rodrigueiro (PDT), com 1.248; Paulo Gatto (PSDB), com 506; Prof. Lauro Pacheco (PSOL), com 391; e Everaldo da Assistência (Avante), com 371. Para deputado estadual, os votos em Jaú foram: Lucas Flores (PL), 52.029; Felipe Rodomonte (PSD), 8.333; Mateus Turini (PDT), 4.794; Eliane Pacheco (PP), 2.018; e Pancho (PSB), 212.
Em Botucatu, os votos para deputado federal foram: João Cury (MDB), 130.915; Ielo (PDT), 2.982; e Dra. Júlia Bruder (Novo), 666. Para deputado estadual: Mário Pardini (PSD), 89.557; Abelardo (Republicanos), 4.702; Jean Brito (Democracia Cristã – DC), 365; e Fernando Bruder (Novo), 310.
Em Santa Cruz do Rio Pardo, o candidato a deputado estadual Ricardo Madalena (PL) obteve 94.306 votos. Em Marília, a candidata a deputada estadual Dani Alonso (PL) recebeu 155.573 votos.
Comportamento do eleitorado
Consideradas conjuntamente as eleições para deputado federal e estadual, 54,9% dos votos válidos de Bauru foram destinados a candidatos de fora, contra 45,1% para os candidatos locais. Em números absolutos, foram aproximadamente 202 mil votos para nomes de outros municípios e 166 mil para os 22 candidatos ligados a Bauru. O resultado não pode ser explicado apenas pela quantidade de candidaturas, nem permite atribuir a responsabilidade exclusivamente ao eleitor. A eleição proporcional combina fatores como votação individual, desempenho partidário, falta de lideranças fortes, voto ideológico ou de segmento, distribuição de vagas e capacidade de construir bases eleitorais para além dos limites municipais. Ainda assim, os números mostram que Bauru continua sem converter de maneira consistente seu eleitorado em representação própria.
Entenda os termos:
- Eleição proporcional: sistema usado para escolher deputados, em que as vagas são distribuídas conforme a votação dos partidos e federações, não apenas a votação individual do candidato.
- Suplente: candidato que não se elegeu, mas assume a vaga se o titular se afastar ou renunciar.
- Domicílio eleitoral: município onde o eleitor mantém vínculo e pode votar e ser votado.
O resultado reforça o cenário político de Bauru para os próximos anos: a cidade terá apenas um representante na Câmara dos Deputados e nenhum na Assembleia Legislativa de São Paulo. Isso significa que demandas locais por recursos e projetos federais e estaduais dependerão de articulação com parlamentares de outras regiões ou do próprio Capitão Augusto, que agora inicia seu quarto mandato.
FONTES: Fonte 1: https://sampi.net.br/bauru/noticias/3009249/politica/2026/10/bauru-elege-apenas-cap-augusto-veja-quantos-votos-teve-cada-um
Fonte 2: https://sampi.net.br/bauru/noticias/3010596/politica/2026/10/bauru-fica-sem-representacao-estadual-e-mantem-so-um-federal
