quinta-feira, 5 de novembro de 2026
Política· ⏱ 6 minutos de leitura

Suéllen Rosim nega contrato bilionário do lixo e diz que seguirá trabalhando

Com informações do vídeo de Record Paulista no YouTube.

Suéllen Rosim nega contrato bilionário do lixo e diz que seguirá trabalhando
Reprodução/Record Paulista—📸 Fonte da imagem: Record Paulista [(clique aqui para ver a matéria lá)]

A prefeita de Bauru, Suéllen Rosim (PSD), voltou a se manifestar publicamente nesta terça-feira (20) sobre os desdobramentos da operação do Ministério Público que investiga a concessão do lixo e que resultou na prisão de três secretários de governo, entre eles seu marido, o ex-secretário de Governo Renato Purini. Em pronunciamento divulgado em rede social, ela negou que tenha sido assinado um contrato de bilhões de reais, afirmou que não compactuaria com desvios de dinheiro público e disse ter adotado as medidas administrativas necessárias desde os primeiros momentos da investigação.

A manifestação ocorre após alguns dias de ausência das redes sociais. Suéllen disse que precisou de tempo para compreender o que estava acontecendo e cuidar da própria gestação e do filho. Ela classificou a situação atual como a mais grave entre as dificuldades que enfrentou nos quase seis anos à frente da Prefeitura de Bauru. "Obviamente, nada se compara ao que a gente está vivendo agora. Não existe uma comparação, é muito sério", afirmou.

A prefeita declarou ter consciência das responsabilidades do cargo e disse que as providências administrativas foram tomadas com responsabilidade, coerência, transparência e imparcialidade, independentemente das pessoas envolvidas.

Contestação sobre o contrato

No pronunciamento, Suéllen contestou informações que, segundo ela, vêm circulando a respeito de supostos desvios de recursos públicos e de um contrato bilionário. "Falam de desvio de recurso público, de bilhões de reais, de contrato bilionário assinado, e eu vou reafirmar aqui: não houve contrato assinado de bilhões de reais", declarou, referindo-se ao projeto de fazer a concessão do lixo em Bauru.

A prefeita também afirmou que não pode ser responsabilizada por todas as falas e mensagens divulgadas sobre o caso e reiterou que jamais compactuaria com desvios de dinheiro público. Sem detalhar as medidas administrativas adotadas ou apresentar novos esclarecimentos sobre os pontos investigados, Suéllen disse acreditar que os fatos ficarão claros no momento e nos locais adequados.

Apesar de contestar informações divulgadas sobre o caso, a prefeita reafirmou respeito ao Ministério Público e ao trabalho do Judiciário. "Eu acredito que tudo vai ser esclarecido no momento oportuno e no lugar certo", disse. Suéllen também agradeceu às pessoas que, segundo ela, têm enviado mensagens de apoio durante o período. Afirmou que recebe manifestações de carinho de pessoas que não consideram verdadeiras, de forma automática, todas as informações que circulam.

Ao final, a prefeita declarou que pretende manter a rotina de trabalho e continuar exercendo as atribuições do cargo. Ela lembrou que foi eleita para um segundo mandato e afirmou que seguirá à frente da administração enquanto considerar que essa é sua missão. "Não esperem de mim nada diferente do que cabeça erguida, fé e ainda mais trabalho", afirmou.

Depoimento na CP do Lixo

A nova manifestação ocorre dias depois de a prefeita prestar depoimento na tarde de 16 de outubro ao Plenário "Benedito Moreira Pinto", na sede da Câmara Municipal, durante a CP do Lixo. A oitiva começou a partir das 14h, com transmissão ao vivo pela TV Câmara Bauru, via YouTube. A prefeitura confirmou que a ida da chefe do Executivo foi mantida mesmo após a prisão e a exoneração do marido dela.

Segundo a Câmara, Suéllen afirmou à Comissão Processante que não recebeu alertas prévios sobre irregularidades na concessão dos resíduos sólidos de Bauru e negou ter recebido presente de Hamilton Libório Agle, representante da Estre Ambiental. Ela também declarou que seus contatos com o empresário tiveram caráter institucional e que não participou diretamente das decisões técnicas que definiram a modelagem da concessão.

Em suas respostas, a prefeita sustentou que os processos administrativos são conduzidos com divisão de responsabilidades entre secretarias e setores técnicos e jurídicos. Afirmou que não acompanha pessoalmente cada etapa e que, antes das investigações, não recebeu informações que apontassem irregularidades e demandassem intervenção direta de sua parte.

O depoimento ocorreu no mesmo dia em que Purini, então secretário municipal de Governo e marido da prefeita, foi preso em novo desdobramento da Operação Cavalo de Troia e, na sequência, exonerado do cargo.

A primeira parte da oitiva se concentrou no envio de documentos ao Legislativo durante a tramitação, em 2025, do projeto que autorizou a concessão. O tema está diretamente relacionado a uma das três imputações que integram a denúncia recebida pela Câmara: o possível desatendimento material a pedido de informações formulado pelo Legislativo durante a análise da proposta. O vereador Eduardo Borgo (Novo) perguntou se a prefeita sabia, antes da votação, que estudos técnicos solicitados pela Comissão de Justiça, Legislação e Redação não teriam sido encaminhados integralmente.

Durante a oitiva, a prefeita também foi questionada pelo denunciante Eduardo Borgo e pelos integrantes da Comissão sobre o envio de estudos à Câmara, as nomeações de agentes posteriormente alcançados pelas apurações, a contratação da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), contatos com representantes da Estre e as impugnações apresentadas ao edital.

A reunião ocorre na fase de instrução do processo, etapa em que são ouvidas testemunhas e investigados para reunir provas. A comissão foi instaurada em 14 de setembro, depois que os vereadores aprovaram a medida por 19 votos a favor e um contrário. O colegiado é presidido pelo vereador Miltinho Sardin (PSD), tem como relator Junior Lokadora (Podemos) e conta ainda com o membro Arnaldinho Ribeiro (Avante). Na última segunda-feira (5), a Comissão decidiu, por unanimidade, pelo prosseguimento das três imputações da denúncia contra Suéllen, ou seja, manteve as três acusações que constam na denúncia.

A possibilidade de ouvir a prefeita antes das testemunhas foi levantada pelo vereador Eduardo Borgo (Novo) em petição protocolada na última quarta-feira (7). O denunciante pediu prioridade para o depoimento em razão do estágio avançado da gestação da prefeita. Segundo o parlamentar, a proximidade do parto e a gravidade dos assuntos tratados pela Comissão justificam a antecipação. O requerimento também prevê a possibilidade de novo depoimento, caso provas produzidas posteriormente exijam esclarecimentos adicionais sobre os fatos já tratados na denúncia. Conforme noticiado, a juíza liberou Borgo a fazer perguntas orais a Suéllen Rosim na CP.

O processo apura se a prefeita cometeu pelo menos três infrações político-administrativas, ou seja, faltas graves no exercício do cargo, relacionadas à condução dos serviços da concessão dos resíduos sólidos do município. Entre as acusações estão:

  • desatendimento material a pedido regular de informações da Câmara Municipal;
  • omissão no cumprimento dos deveres legais de governança, gestão de riscos e controles;
  • omissão ou negligência na defesa dos bens, rendas, direitos e interesses do município (processo n.º 225/2026).

A operação e a prisão de Purini

A prisão de Purini ocorreu em um Procedimento Investigatório Criminal (PIC), ou seja, uma apuração conduzida pelo Ministério Público para investigar crimes, coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que reúne promotores especializados no combate ao crime organizado. Com autorização da Justiça, os policiais prenderam Purini na residência do casal. Ele será encaminhado para o Centro de Detenção Provisório (CDP) de Bauru, onde ficam presos provisoriamente pessoas aguardando decisão da Justiça. O advogado de Renato e da família Rosim, Jeferson Machado, esteve na CPJ e optou por não falar com a imprensa. O espaço permanece aberto para manifestações.

A Operação Cavalo de Troia foi deflagrada pelo Gaeco em 9 de setembro e investiga suspeitas de fraude, direcionamento e corrupção na estruturação da concessão do sistema de gestão integrada dos resíduos sólidos, projetada para 30 anos e com valor estimado em cerca de R$ 5,2 bilhões. Na primeira fase, foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão e sete de prisão temporária, além de outras medidas judiciais. A atuação de Purini no período em que a concessão foi estruturada e as providências adotadas pela Prefeitura após o avanço das investigações estiveram entre os assuntos abordados na oitiva.

FONTES: Fonte 1: https://www.youtube.com/watch?v=t1yaLUXlyk8

Fonte 2: https://sampi.net.br/bauru/noticias/3012837/politica/2026/10/suellen-rosim-vai-a-rede-social-e-afirma-que-seguira-trabalhando

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