quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Caseiro é condenado a 26 anos de prisão por matar idosa e ocultar corpo em poço em Bauru

Caseiro é condenado a 26 anos de prisão por matar idosa e ocultar corpo em poço em Bauru
Dagmar Grimm Streger, de 76 anos, foi encontrada morta em um poço desativado no sítio onde morava, em Bauru. Reprodução/g1 Bauru e Marília—📸 Fonte da imagem: g1 Bauru e Marília [(clique aqui para ver a matéria lá)]

O caseiro Paulo Henrique Vieira, de 55 anos, foi condenado a 26 anos de prisão pelo assassinato e pela ocultação do cadáver de Dagmar Grimm Streger, de 76 anos, em uma propriedade rural na região do Rio Verde, em Bauru. A sentença foi proferida no julgamento realizado em 21 de setembro.

Durante o julgamento, Paulo assumiu toda a responsabilidade pelo crime de latrocínio — roubo seguido de morte — e pela ocultação do corpo. Ele alegou que a esposa, Daniela dos Santos Vieira, de 40 anos, dormia no momento da ação.

A Justiça considerou Daniela inocente da participação no crime. Ela, que estava presa preventivamente — modalidade de prisão usada durante a investigação e com prazo definido —, foi solta no dia 23 de outubro.

A idosa foi vista pela última vez em 19 de dezembro de 2025. O desaparecimento passou a ser apurado oficialmente no dia 22, quando familiares registraram boletim de ocorrência. Em 24 de dezembro do ano passado, o casal que trabalhava e morava no sítio foi preso. Segundo a Polícia, os dois confessaram informalmente o envolvimento no crime e indicaram que o corpo teria sido jogado em um poço desativado na propriedade.

Em fevereiro, a Polícia Civil concluiu o inquérito e indiciou o casal por latrocínio e ocultação de cadáver. Na ocasião, as prisões foram convertidas em preventivas enquanto os investigados aguardavam a decisão judicial.

As buscas pelo corpo começaram em 30 de dezembro e se estenderam por 23 dias. A operação mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros, da Polícia Civil e da prefeitura, com uso de maquinário pesado. Também foi necessária a demolição da casa da vítima para ampliar o acesso ao poço e garantir a segurança dos trabalhos.

Cerca de 30 metros de profundidade foram escavados até que o corpo fosse encontrado, em 22 de janeiro, dentro de um poço desativado — conhecido como poço caipira, usado para captação de água — no sítio onde Dagmar morava.

De acordo com a perícia do Instituto Médico Legal (IML), o corpo apresentava lesão no crânio compatível com agressão. Não foram encontrados vestígios de terra ou detritos nas vias respiratórias, o que indica que a idosa foi morta antes de ser jogada no poço. Sacos de adubo teriam sido colocados sobre o corpo na tentativa de mascarar o odor da decomposição.

A investigação também identificou movimentações bancárias entre as contas dos envolvidos. Em poucas semanas, foram feitas mais de 100 transferências via Pix da conta de Dagmar para a conta de Daniela, somando mais de R$ 22 mil. Daniela afirma que não realizou as operações e sustenta que os valores foram enviados pela própria vítima.

Nos depoimentos durante as investigações, Paulo Henrique chegou a tentar atribuir a responsabilidade pelo assassinato ao filho do casal, que tinha 14 anos na época do crime. Daniela contestou a versão e afirmou que o marido foi o autor do crime. Até a última atualização do caso, o jovem estava em acompanhamento em um abrigo em Avaré, junto com os irmãos.

Entenda os termos:

  • Latrocínio: roubo seguido de morte; é o crime que une o furto de bens à violência que resulta na morte da vítima.
  • Ocultação de cadáver: crime de esconder ou destruir o corpo de alguém que morreu, para dificultar a investigação.
  • Prisão preventiva: prisão decretada durante a investigação ou o processo, quando a Justiça entende que é necessária para o andamento do caso.
  • Inquérito: fase de investigação conduzida pela Polícia para reunir provas antes de o caso ir à Justiça.
  • Indiciamento: quando a Polícia aponta formalmente uma pessoa como suspeita de ter cometido o crime ao fim do inquérito.

O caso mobilizou equipes de segurança e da prefeitura por quase um mês de escavações em uma área rural de Bauru, e a condenação encerra a fase judicial contra o caseiro. A decisão também libera a esposa, que respondia ao processo em prisão preventiva.

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