A ex-secretária do governo de Rodrigo Manga (sem partido) em Sorocaba, Cilene Bordezan, foi presa em Bauru junto com outros cinco funcionários públicos. Na cidade, ela estava à frente da Secretaria de Meio Ambiente.
A prisão ocorreu durante operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), órgão ligado ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que investiga um contrato de R$ 5 bilhões suspeito de fraude. Segundo as informações divulgadas, esse seria o maior valor já projetado em uma contratação pública na história de Bauru.
A casa de Cilene, em Sorocaba, também é alvo da apuração.
Cilene Bordezan foi secretária de Planejamento e Desenvolvimento Urbano de Sorocaba até 2023. Depois, foi remanejada para a Secretaria de Meio Ambiente, o mesmo cargo que passou a ocupar em Bauru em 2025. Ela também foi diretora de área da Secretaria de Serviços Públicos e Obras em Sorocaba.
De acordo com o Gaeco, os agentes identificaram um esquema supostamente coordenado por uma secretária envolvendo a suspeita de fraude licitatória na concessão do sistema de gestão integrada dos resíduos sólidos urbanos no município de Bauru.
O órgão não informou o nome da secretária investigada, mas a única funcionária que ocupa esse cargo e foi presa até o momento é Cilene Bordezan. A outra mulher detida nesta quarta-feira é Sara Moura de Jesus, secretária adjunta de Cilene.
O contrato tem previsão de durar 30 anos, com valor global estimado em R$ 5,2 bilhões, em números de fevereiro de 2026.
O nome da operação, Cavalo de Troia, faz referência à principal estratégia identificada durante as investigações. Trata-se da atuação, na administração municipal, de uma secretária que mantinha vínculos profissionais e econômicos com a empresa beneficiada no processo.
Segundo o Gaeco, a partir dessa posição estratégica, interesses privados teriam passado a influenciar internamente a formatação e a condução do procedimento. Isso teria permitido que decisões formalmente públicas fossem discutidas e preparadas em articulação com representantes empresariais.
A investigação encontrou também, na estrutura da secretaria, outra profissional anteriormente vinculada à empresa alvo dos trabalhos.
Cilene Bordezan está presa preventivamente junto de Vitor João de Freitas Costa, secretário de Negócios Jurídicos.
A operação mobiliza agentes do Gaeco em Bauru, no interior paulista, e também em Sorocaba, onde a ex-gestora mantém residência. O caso envolve o sistema de gestão integrada dos resíduos sólidos urbanos, serviço essencial que abrange a coleta, o tratamento e a destinação final do lixo produzido na cidade.
Para Bauru, o desdobramento representa um impacto direto na maior contratação pública já projetada na história do município, com prazo de três décadas e valor estimado em R$ 5,2 bilhões. A prisão de uma secretária municipal e de seu adjunto afeta o funcionamento da pasta responsável pelo meio ambiente justamente no momento em que o município discute a concessão do serviço de resíduos sólidos, tema que deverá seguir sob acompanhamento do Ministério Público e do Legislativo local.
