Um grupo de mães de alunos da Emeii Etelvina de Araújo Almeida, na Vila Garcia, em Bauru, procurou a reportagem para relatar que crianças de 4 e 5 anos estão sofrendo maus-tratos na unidade. Duas das mães disseram que os filhos chegam a urinar nas calças de medo de um auxiliar que trabalha na escola.
A reportagem teve acesso a boletins de ocorrência registrados na Polícia Civil de Bauru. Algumas crianças estão com hematomas nos braços e na orelha, e fotos dessas marcas foram anexadas aos documentos de investigação. "Meu filho não é indisciplinado, ele é neurodivergente", desabafa uma das mães.
Segundo as mães, o auxiliar de ensino, cujo nome será preservado, faz apertões nos braços e nas orelhas das crianças quando elas não obedecem, como se recusar a comer ou a dormir no horário programado. O caso gerou revolta entre as famílias, que pedem providências da Secretaria de Educação.
O relato das mães veio depois de os servidores municipais da Emeii Etelvina paralisarem as aulas nesta terça-feira (6) por motivos de insegurança. Segundo eles, há bastante tempo lidam com um aluno que apresenta muita indisciplina e com a mãe dele, que seria agressiva com os trabalhadores. "Essa mãe já invadiu a nossa escola, mesmo com medida protetiva contra ela, e machucou o punho (pulso) de uma professora, que precisou procurar atendimento médico. O que a gente pede é que esse aluno seja transferido para outra unidade de ensino próxima de sua casa. Vaga nós sabemos que temos. Só precisamos que a Secretaria de Educação resolva isso e traga paz e segurança para nós exercermos a nossa profissão. Não aguentamos mais", desabafou uma das docentes.
A mãe citada pela professora foi ouvida pela reportagem. Ela afirma que o filho de 5 anos não é indisciplinado ou mal-educado, mas sim neurodivergente. "Ele tem diagnóstico de transtorno do espectro autista (TEA) com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) e também transtorno opositivo-desafiador (TOD)", diz. O TOD afeta o comportamento infantil e é marcado por um padrão persistente de raiva, irritabilidade, desafio e hostilidade contra figuras de autoridade.
A mulher diz que na Emeii Etelvina os profissionais não estão preparados para esse tipo de condição e tratam o menino como rebelde ou indisciplinado. Ela afirma que conseguiu reverter judicialmente a medida cautelar que a proibia de se aproximar da escola. "Ainda existe, sim, a medida para eu não me aproximar da diretora. A gente que é mãe fica nervosa, né, ao ver o filho voltar da escola machucado, com medo, urinado de pavor, e ainda relatando maus-tratos. Mas na escola eu estou autorizada a entrar, sim, judicialmente, tenho o documento expedido pelo juiz. O que nós, mães, queremos, e temos um grupo enorme mobilizado, é que a Secretaria de Educação tome providências quanto à retirada desse auxiliar agressor da Emeii. A diretoria não faz nada e até já procurei o Conselho Tutelar", frisou.
Ela também relata que a escola questionou se o filho é autista. "Ele usa até o cordão (de identificação). Já passou pelo novo Centro TEA de Bauru, pelo Caps (Centro de Atenção Psicossocial) e está com encaminhamento para passar pela Sorri-Bauru para obter um diagnóstico mais preciso, para apontar o grau de autismo dele (tipo 1, 2 ou 3)", finaliza.
NOTA DA PREFEITURA
A Secretaria de Educação informou, no início da manhã, que os pais e responsáveis pelos alunos estão sendo orientados pela equipe escolar sobre a situação e o atendimento na unidade. "A mobilização ocorre após episódios envolvendo a mãe de um aluno, que teria agredido a diretora da escola e também se envolvido em agressões contra professores. Diante dos fatos, a diretora adotou as medidas judiciais cabíveis, solicitando uma medida cautelar, e a Secretaria Municipal da Educação acompanha o caso e vem tomando todas as providências que estão dentro das atribuições legais do município", diz a primeira nota.
A prefeitura foi acionada novamente sobre as queixas de maus-tratos. Em nota, o Município informou que tomou conhecimento de denúncia envolvendo a conduta de um servidor da Emeii Etelvina de Araújo Almeida e determinou a imediata e rigorosa apuração dos fatos. "Todas as ocorrências serão investigadas de forma individualizada, responsável e imparcial, com adoção das providências administrativas cabíveis e encaminhamento aos órgãos competentes, sempre com prioridade absoluta à proteção da criança e à segurança da comunidade escolar. Por envolver criança, outras informações serão preservadas neste momento, em respeito à legislação e à proteção dos envolvidos", finaliza o texto.
Entenda os termos:
- TEA (transtorno do espectro autista): condição que afeta a comunicação e o comportamento, com diferentes níveis de suporte.
- TDAH (transtorno do déficit de atenção com hiperatividade): transtorno que causa desatenção, impulsividade e agitação.
- TOD (transtorno opositivo-desafiador): padrão de raiva, irritabilidade e desafio a figuras de autoridade.
- Medida cautelar: decisão judicial provisória para proteger alguém ou impedir uma situação de risco.
- Conselho Tutelar: órgão que zela pelos direitos de crianças e adolescentes.
- Caps (Centro de Atenção Psicossocial): serviço público de saúde mental.
O caso expõe a tensão entre famílias e servidores da rede municipal de ensino de Bauru, que cobram da Secretaria de Educação uma solução rápida para garantir a segurança de alunos e profissionais. A comunidade escolar aguarda as apurações prometidas pela prefeitura e a definição sobre o afastamento do auxiliar acusado.
FONTES: Fonte 1: https://sampi.net.br/bauru/noticias/3009609/policia/2026/10/maes-dizem-que-filhos-urinam-de-medo-antes-das-aulas-em-bauru
Fonte 2: https://96fmbauru.com.br/maes-dizem-que-filhos-urinam-de-medo-antes-das-aulas-em-bauru
