Bauru passou a contar com recursos de inteligência artificial integrados ao sistema de monitoramento do Muralha Paulista. A tecnologia tem a função de auxiliar o trabalho das forças de segurança, cruzando imagens e informações para apoiar os policiais na identificação de veículos, de pessoas e de possíveis trajetos relacionados a ocorrências.
Dados apresentados sobre a atuação do sistema na cidade mostram avanços nos indicadores. Nos sete primeiros meses deste ano, o número de prisões cresceu 22,5%, enquanto os flagrantes registraram alta de 29%.
No primeiro semestre, os registros de roubo de veículos tiveram redução de 59%. Até agosto, as ocorrências em que a tecnologia teve participação direta estavam relacionadas a 40 prisões em flagrante e à recuperação de 64 veículos, segundo os dados divulgados.
O funcionamento do sistema vai além do simples registro de imagens. A partir das informações fornecidas pelos policiais sobre uma ocorrência, a ferramenta pode analisar grandes volumes de imagens, identificar características de veículos ou de pessoas e reconstruir possíveis trajetos.
Os resultados são apresentados às equipes de segurança e servem de apoio na tomada de decisão durante a investigação ou o atendimento da ocorrência.
O Muralha Paulista já conta com recursos como leitura automática de placas e reconhecimento facial em parte da estrutura instalada em Bauru. No início de 2026, o município informou que o programa havia contribuído para 83 prisões e para a recuperação de 17 veículos em pouco mais de três meses de funcionamento.
Tecnologia também avança em outros estados
A utilização de inteligência artificial como apoio à investigação policial também avança em outros estados brasileiros. No Paraná, o programa Olho Vivo usa a tecnologia para cruzar imagens e bases de dados, identificar veículos e auxiliar na localização de pessoas.
Entre janeiro e junho de 2026, as forças de segurança paranaenses informaram cerca de 780 ocorrências solucionadas com apoio da tecnologia, além de mais de 440 prisões e aproximadamente 400 veículos recuperados.
Em Goiás, o programa IA Contra o Crime também emprega ferramentas de inteligência artificial para apoiar investigações e localizar veículos envolvidos em ocorrências. Segundo o governo estadual, a tecnologia havia contribuído para mais de 300 prisões e cerca de 1.400 ocorrências nos cinco primeiros meses de funcionamento, em 2026.
A proposta desses sistemas é utilizar as câmeras não apenas para registrar o que acontece nas ruas, mas também para analisar automaticamente as informações captadas e cruzá-las com bancos de dados.
Dessa forma, a tecnologia funciona como ferramenta de apoio ao trabalho policial. A abordagem, a investigação e as demais decisões permanecem sob responsabilidade dos agentes de segurança.
Para Bauru, a integração da inteligência artificial ao Muralha Paulista representa mais um passo na estrutura de monitoramento já instalada no município, que desde o início de 2026 vinha sendo associada a prisões e à recuperação de veículos pelas forças de segurança locais. Os números divulgados até agosto indicam que a ferramenta passou a ter participação direta em ocorrências registradas na cidade.
