O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou na quarta-feira (9/9), em Bauru, no interior paulista, a Operação Cavalo de Troia. A força-tarefa cumpriu sete mandados de prisão temporária na cidade.
A apuração investiga um suposto esquema de fraude na concessão do sistema de gestão integrada dos resíduos sólidos urbanos da Prefeitura, além de irregularidades detectadas em um contrato de coleta seletiva. O contrato sob suspeita é o maior da história do município, com valor estimado em R$ 5,2 bilhões. Além do direcionamento do certame, os investigadores apuram espionagem contra um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP).
De acordo com o Gaeco, a estratégia do grupo consistia em inserir no núcleo da administração municipal responsável pela concessão uma secretária que mantinha vínculos profissionais e econômicos com a empresa que seria favorecida — e que, segundo a investigação, recebeu o direcionamento. O objetivo era direcionar a concorrência para essa companhia. A apuração busca esclarecer como o certame teria sido manipulado, com a atuação de agentes públicos e funcionários.
Prisões e exoneração de secretários
Ainda na quarta-feira (9), no fim da tarde, a Prefeitura de Bauru anunciou a exoneração dos três secretários municipais presos horas antes, pela manhã:
- Cilene Chabuh Bordezan — secretária de Meio Ambiente e Bem-Estar Animal;
- Vitor João de Freitas Costa — secretário de Negócios Jurídicos;
- Sara Moura de Jesus — secretária-adjunta de Meio Ambiente e Bem-Estar Animal.
Entre os detidos estavam, portanto, dois secretários titulares e uma secretária-adjunta. Outras pessoas também foram presas durante a operação, entre elas uma mulher identificada como Gisele.
Crimes sob investigação
O Gaeco investiga fraude em licitação, corrupção, advocacia administrativa, falsidade ideológica e associação criminosa.
Impacto e desdobramentos
O tamanho do contrato explica o interesse público em torno do caso: uma licitação dessa dimensão movimenta uma soma expressiva de recursos municipais, aplicados em obras, serviços e compras públicas que atingem diretamente o cotidiano de quem mora em Bauru e depende dos serviços prestados na cidade.
A atuação do MPSP neste caso está concentrada no eixo de defesa do patrimônio público e de fiscalização da aplicação dos recursos. Ao lado do Gaeco, grupo especializado no enfrentamento ao crime organizado, a investigação busca identificar os responsáveis pela fraude na concorrência e compreender como o grupo atuava.
Até o momento, a divulgação oficial se limita à deflagração da operação, aos mandados de prisão temporária cumpridos e ao objeto da apuração. O caso segue em investigação, e novas informações sobre a Operação Cavalo de Troia devem ser divulgadas pelo Ministério Público do Estado de São Paulo. A reportagem que embasou este texto foi publicada em 9 de setembro de 2026, às 9h30, com atualização às 9h44. As primeiras publicações sobre a operação saíram naquela tarde — uma delas às 13h50, com atualização às 14h07, e outra às 15h34.
