quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Operação Cavalo de Troia mira fraude em licitação de R$ 5,2 bi em Bauru

Operação Cavalo de Troia mira fraude em licitação de R$ 5,2 bi em Bauru
Operação Cavalo de Troia foi deflagrada pelo MPSP nesta quarta-feira (9/9). Foto: Divulgação/MPSP—📸 Fonte da imagem: metropoles.com [(clique aqui para ver a matéria lá)]

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagrou, nesta quarta-feira (9/9), a Operação Cavalo de Troia, uma ação conjunta para apurar um esquema de fraude na concessão do sistema de gestão integrada dos resíduos sólidos urbanos pela Prefeitura de Bauru, no interior paulista. A investigação também apura irregularidades em um contrato de coleta seletiva. A apuração é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), e o caso foi noticiado pelo Metrópoles na publicação de 09/09/2026, assinada pelo jornalista Rodrigo Tammaro, com imagem de Divulgação/MPSP.

Segundo a investigação, a estratégia do esquema consistia em inserir, no centro da administração municipal — órgão responsável pela concessão —, uma secretária que mantinha vínculos profissionais e econômicos com a empresa que recebeu o direcionamento na licitação. A partir dessa posição, os interesses particulares passaram a influenciar a condução do procedimento, o que permitiu a articulação de propostas públicas com representantes empresariais. Os investigadores localizaram ainda, na estrutura da secretaria, outra profissional anteriormente vinculada à empresa alvo dos trabalhos desta quarta-feira.

O contrato tem previsão de durar 30 anos, com valor global estimado em cerca de R$ 5,2 bilhões em números de fevereiro de 2026. Trata-se da maior contratação pública já projetada na história de Bauru.

Núcleo com agentes públicos

De acordo com os elementos reunidos na investigação, a fraude não se limitava à inclusão de uma cláusula restritiva no edital. O esquema teria sido construído por camadas, desde a concepção da concessão e a elaboração dos estudos técnicos até a definição das exigências de habilitação e pontuação, passando pela contratação de consultorias, pela preparação de documentos oficiais e pela reação diante de impugnações e de potenciais concorrentes. A finalidade era assegurar vantagem indevida à empresa investigada.

As apurações apontam ainda a existência de um núcleo formado por agentes públicos, dirigentes e funcionários da empresa privada, consultores e intermediários, com divisão de funções e atuação coordenada.

O MPSP também identificou indícios de pagamentos e vantagens para reduzir a competição e garantir o direcionamento da licitação, além da cooptação de agentes públicos para neutralizar mecanismos de controle. "Os investigados chegaram a levantar informações pessoais de um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, supostamente relacionado à relatoria de procedimento naquele órgão", afirmou o órgão.

Crimes apurados

Com a operação, batizada de Cavalo de Troia, o MPSP busca aprofundar a investigação dos crimes de fraude ao caráter competitivo da licitação, corrupção ativa e passiva, advocacia administrativa, falsidade ideológica e associação criminosa.

O que diz a prefeitura

Em nota, a Prefeitura de Bauru informou que respeita a atuação do MPSP e que irá colaborar com a apuração.

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