quinta-feira, 5 de novembro de 2026
Política· ⏱ 5 minutos de leitura

Renato Purini fica em silêncio em depoimento ao MP e é investigado por cinco crimes

Renato Purini fica em silêncio em depoimento ao MP e é investigado por cinco crimes
Viaturas do BAEP chegam à casa do secretário de Governo, Renato Purini. Reprodução/sampi.net.br—📸 Fonte da imagem: sampi.net.br [(clique aqui para ver a matéria lá)]

O ex-secretário de Governo da Prefeitura de Bauru Renato Purini, marido da prefeita Suéllen Rosim (PSD), permaneceu em silêncio durante depoimento ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) na tarde desta quinta-feira (22). Ele foi interrogado por videoconferência diretamente da Penitenciária II de Potim (SP), no Vale do Paraíba, onde está preso de forma preventiva. A informação é da TV TEM.

Purini é investigado na segunda fase da Operação Cavalo de Troia, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público, para apurar fraudes na licitação da gestão do lixo na cidade. O depoimento foi conduzido pelo promotor Nelson Aparecido Febraio Júnior, e o ex-secretário estava acompanhado de seis advogados.

Em gravação obtida com exclusividade pela TV TEM, Purini declarou ao promotor: "De acordo com a orientação da minha equipe técnica que está aqui conosco, eu optei por me manter em silêncio".

Prisão e transferência

Renato Purini foi preso no dia 16 de outubro de 2026, enquanto transitava na Avenida Getúlio Vargas, em Bauru, durante a segunda fase da operação, que cumpriu mandados de busca na residência da chefe do Executivo e na prefeitura. Ele foi levado inicialmente para a CPJ (Central de Polícia Judiciária) da Polícia Civil em Bauru e, na tarde de quarta-feira (21), transferido para a Penitenciária II de Potim.

Logo após o cumprimento do mandado judicial, a prefeita Suéllen Rosim oficializou a exoneração do marido do cargo de secretário de Governo. A defesa do ex-secretário apresentou um pedido de liberdade, mas o habeas corpus (instrumento jurídico que pede a soltura de alguém) foi negado pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) no dia 17 de outubro, mantendo a prisão preventiva.

Segundo o Ministério Público, a investigação apura se Purini adotou condutas para tentar fugir ou se esquivar da ação policial antes de ser preso, como realizar trajetos circulares perto da sede do MP e da Prefeitura de Bauru na madrugada em que a ordem de prisão foi cumprida, além de trocar de telefone celular logo após a deflagração da primeira fase da operação, no início de setembro. A cronologia dos fatos levantou a suspeita de que ele tentava se antecipar a eventuais mandados judiciais e prejudicar a coleta de provas.

Conforme apuração do MPSP divulgada pela TV TEM, Purini é investigado sob a suspeita de cometer crimes de integração em organização criminosa, corrupção passiva, corrupção ativa de agentes políticos, falsidade documental e fraude a licitações.

A assessoria jurídica da prefeita Suéllen Rosim informou que a gestora adotou todas as medidas administrativas necessárias, pautando suas decisões pela responsabilidade, transparência e imparcialidade, confiando no esclarecimento dos fatos e mantendo o cumprimento de suas funções à frente do município.

Entenda o caso

A Operação Cavalo de Troia teve início em 9 de setembro de 2026 e investiga um esquema de fraude, corrupção e organização criminosa na licitação para concessão dos serviços de gestão integrada dos resíduos sólidos urbanos de Bauru, já cancelada. A concessão sob investigação visava a gestão de resíduos sólidos por um período de 30 anos e envolvia cifras estimadas em mais de R$ 5,2 bilhões, consolidando-se como a maior contratação pública projetada na história do município. Segundo o Ministério Público, as ações coordenadas do grupo visavam direcionar o resultado do edital para beneficiar a empresa Estre Ambiental.

As investigações apontaram que a estratégia criminosa consistia em infiltrar e interferir diretamente na fase preparatória da concessão. Para viabilizar o plano, integrantes do grupo ocuparam cargos públicos estratégicos dentro da administração municipal. Entre as principais manobras identificadas pela promotoria esteve a contratação intencional da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), usada de forma articulada pelo núcleo para moldar as diretrizes técnicas do edital de modo a sufocar a competitividade entre as empresas concorrentes.

A investigação do Gaeco aponta que Renato Purini atuava como o articulador político do esquema para viabilizar a aprovação do projeto de concessão de resíduos sólidos. Segundo o Ministério Público, ele teria recebido valores repassados pela empresa Estre Ambiental para influenciar o resultado de votações na Câmara Municipal de Bauru.

Como a investigação começou

As apurações tiveram origem em suspeitas relacionadas a ameaças contra catadores de materiais recicláveis em Bauru. O Ministério Público investigava possíveis irregularidades envolvendo a Associação dos Catadores de Reciclagem de Bauru (Ascam), que mantinha contratos com a prefeitura para serviços relacionados à coleta seletiva.

Segundo as investigações, Valdomiro Pereira da Silva Filho, empresário e marido da então presidente da associação, Gisele Moretti, teria utilizado sua influência para intimidar trabalhadores. A análise de conversas e ligações do casal levou os investigadores a identificar indícios de outras irregularidades, incluindo possíveis pedidos de propina e interferências na futura concessão dos serviços de gestão de resíduos sólidos.

Quem foi preso na primeira fase

Durante a deflagração da operação, a polícia e o Gaeco cumpriram inúmeros mandados de busca e apreensão. Sete pessoas foram presas preventivamente por participação no esquema:

  • Os ex-secretários municipais Cilene Bordezan, Vitor Costa e Sara Moura;
  • O CEO da Estre, Hamilton Agle;
  • Talita Chieregatti (da Estre);
  • Gisele Moretti e Valdomiro Silva Filho, estes dois últimos da Ascam e já fora da prisão.

Está foragido o consultor da Fipe Mário Silvério. A prefeitura exonerou os secretários envolvidos logo após o início do escândalo.

Desdobramentos jurídicos

O Ministério Público formalizou a denúncia contra seis investigados na primeira etapa, e a Justiça aceitou as acusações, tornando-os réus no processo. A investigação avançou com a análise de materiais apreendidos, mensagens e indícios da participação de outros agentes públicos e particulares. O Ministério Público também apontou troca de celular e conduta suspeita do ex-secretário preso.

Com o avanço das apurações criminais, o processo licitatório bilionário acabou sendo temporariamente suspenso por determinação do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) para evitar prejuízos aos cofres públicos.

Entenda os termos:

  • Habeas corpus: instrumento jurídico que pede a soltura de alguém.
  • Prisão preventiva: prisão decretada durante a investigação, com prazo definido, para garantir o andamento do caso.
  • Denúncia: acusação formal apresentada pelo Ministério Público à Justiça, que decide se os investigados viram réus.
  • Licitação: processo pelo qual o poder público escolhe empresas para prestar serviços ou fornecer produtos.
  • Concessão: contrato em que a prefeitura transfere à iniciativa privada a exploração de um serviço público por determinado período.

FONTES: Fonte 1: https://sampi.net.br/bauru/noticias/3011910/politica/2026/10/relembre-as-etapas-da-operacao-cavalo-de-troia-em-bauru-video

Fonte 2: https://www.abcdoabc.com.br/bauru-renato-purini-fica-silencio-em-depoimento/

Compartilhar: WhatsApp Facebook X Telegram

💬 Comentários0

Nenhum comentário ainda

Seja o primeiro a comentar pelo Facebook ou Instagram!

Quer comentar nesta notícia?

Comentários são importados automaticamente do Facebook e Instagram. Comente na postagem original da notícia e seu comentário aparecerá aqui!

🔒 Seus dados ficam no Facebook/Instagram. Notícia Digital Bauru não armazena senhas.