A Polícia Civil apreendeu uma grande quantidade de bebidas alcoólicas e perfumes importados sem nota fiscal durante o cumprimento de um mandado de busca na quinta-feira (8), em Bauru (SP). Ninguém foi preso nessa ação, segundo a corporação. Parte dos produtos localizados não possuía nota fiscal e acabou apreendida. A Polícia Civil investiga a origem das bebidas e dos perfumes, além de verificar uma eventual adulteração nos itens. Um inquérito policial foi instaurado para dar andamento às investigações sobre o caso.
No mesmo dia, o dono de uma gráfica localizada na Vila Engler, em Bauru, também foi preso em flagrante. Ele é suspeito de fabricar rótulos, selos e etiquetas para bebidas falsificadas. Segundo as investigações, a estrutura do estabelecimento era voltada à confecção de componentes gráficos utilizados na falsificação de bebidas alcoólicas. O local produzia rótulos, etiquetas, lacres, selos e outros materiais destinados a dar aparência de autenticidade aos produtos falsificados.
A ação foi realizada pela 1ª Delegacia de Investigações Gerais (DIG), com apoio do Grupo de Operações Especiais (GOE), durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão. No local, os policiais encontraram:
- 19 matrizes para impressão de rótulos;
- 20 rótulos para estampar garrafas;
- três selos para bebidas alcoólicas;
- um rolo de fita holográfica;
- cinco tampas usadas em garrafas de bebidas.
Também foram apreendidos outros materiais relacionados à produção dos itens. Entre as marcas identificadas pelos investigadores estão Campari, Old Parr e White Horse.
Durante as buscas, também foi localizada uma ordem de serviço em nome de uma empresa sediada em São José do Rio Pardo, que foi apreendida para análise da origem da contratação e do destino dos materiais produzidos.
O responsável pelo estabelecimento foi preso em flagrante por suspeita de falsificação de papéis públicos, posse de materiais usados para falsificação e crime contra registro de marca. Ele foi encaminhado à 1ª DIG de Bauru, onde permaneceu à disposição da Justiça. Outras partes do esquema estão sendo investigadas.
A operação ocorre em meio à crise de bebidas falsificadas com metanol que atingiu o estado de São Paulo no final de 2025 e início de 2026. Até maio de 2026, foram 54 intoxicados e 12 mortes confirmadas.
No final de setembro deste ano, dois homens foram denunciados pela 16ª Promotoria de Justiça Criminal de Guarulhos por venda de bebidas alcoólicas adulteradas, que causaram perda permanente da visão em uma vítima de 2025. Ambos podem responder por falsificação de produto destinado ao consumo. Para um deles, a acusação abrange ainda o crime de lesão corporal.
Quando a crise se agravou, em 2025, uma operação realizada pelo Procon apreendeu um lote de 128 mil garrafas de vodca sem documentação em uma distribuidora de Barueri, na região metropolitana de São Paulo. Também foi interditada totalmente três estabelecimentos de comércio de bebidas na capital paulista: dois na região da Bela Vista e um no Itaim Bibi. Em Barueri, houve a interdição parcial das bebidas alcoólicas destinadas para consumo. Ao todo, quatro bares e duas distribuidoras foram fechados.
A apreensão em Bauru reforça o alerta sobre a atuação de quadrilhas especializadas na falsificação de bebidas na região. A cidade, conhecida por seu polo gráfico, agora aparece no centro de uma investigação que mira a estrutura que dá aparência de autenticidade a produtos adulterados, um dos elos do esquema que colocou em risco a saúde de consumidores em todo o estado.
Capacitação ajuda policiais a identificar bebidas falsificadas e adulteradas em SP
A identificação de bebidas falsificadas, adulteradas ou comercializadas irregularmente exige conhecimento sobre características que muitas vezes passam despercebidas pelo consumidor. Para aprimorar esse trabalho, policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), da Polícia Civil de São Paulo, recebem capacitação técnica para reconhecer indícios de fraudes e outras irregularidades nesse tipo de produto.
"O combate ao mercado ilegal de bebidas exige atualização constante e integração entre os órgãos", afirmou o diretor do Deic, Ronaldo Sayeg. Segundo ele, o conhecimento técnico auxilia os policiais durante fiscalizações e investigações. "Esse treinamento frequente fortalece a capacidade técnica dos policiais na identificação de irregularidades e contribui diretamente para ações mais eficazes contra a falsificação de bebidas alcoólicas", disse.
Os policiais receberam orientações sobre sinais que podem indicar irregularidades, como a comercialização de produtos e sabores inexistentes no mercado oficial, além de inconsistências nos materiais utilizados nas embalagens e nos mecanismos de vedação das garrafas.
Polícia Científica auxilia na identificação de bebidas adulteradas
A Polícia Científica também atua nas investigações relacionadas à falsificação de bebidas alcoólicas. Após apreensões realizadas pelas forças de segurança, as garrafas são encaminhadas para análise pericial, que envolve exames documentais e laboratoriais capazes de identificar adulterações e substâncias tóxicas.
O trabalho começa pela verificação externa das embalagens, com análise de lacres, selos, rótulos e tampas em busca de irregularidades que possam indicar a reutilização de garrafas originais ou a falsificação de embalagens.
Na etapa laboratorial, as amostras passam por análises químicas para detectar substâncias como o metanol, composto tóxico que pode causar graves danos à saúde. Os exames utilizam equipamentos capazes de identificar e separar os componentes presentes no líquido, permitindo verificar se a composição está dentro dos padrões legais.
Entenda os termos:
- Prisão em flagrante: quando alguém é detido no momento em que comete o crime ou logo depois, sem necessidade de mandado judicial.
- Falsificação de papéis públicos: crime de imitar ou alterar documentos e papéis emitidos por órgãos oficiais.
- Crime contra registro de marca: uso indevido de marca registrada, como acontece quando falsificadores copiam rótulos de bebidas conhecidas.
- Denúncia: acusação formal apresentada pelo Ministério Público à Justiça contra um investigado.
- Metanol: composto químico tóxico que, quando ingerido, pode causar cegueira, danos graves à saúde e até a morte.
- Inquérito policial: procedimento investigativo conduzido pela polícia para apurar um crime.
FONTES: Fonte 1: https://www.metropoles.com/sao-paulo/ressaca-braba-grafica-falsificava-campari-old-parr-e-white-horse-em-bauru
Fonte 2: https://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2026/10/09/policia-civil-apreende-carga-de-bebidas-e-perfumes-importados-sem-nota-fiscal-em-bauru.ghtml
