quinta-feira, 5 de novembro de 2026
Política· ⏱ 4 minutos de leitura

MP investiga se ex-secretário de Bauru tentou fugir antes de prisão em operação

MP investiga se ex-secretário de Bauru tentou fugir antes de prisão em operação
Renato Purini, secretário de Governo de Bauru. Reprodução/sampi.net.br—📸 Fonte da imagem: sampi.net.br [(clique aqui para ver a matéria lá)]

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) investiga se o ex-secretário municipal de Governo de Bauru Renato Celso Bonomo Purini tentou fugir antes de ser preso na segunda fase da Operação Cavalo de Troia, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em 16 de outubro. Purini é marido da prefeita Suéllen Rosim (PSD), que não é alvo desta fase da operação.

A prisão preventiva — medida judicial usada durante a investigação, quando a Justiça entende que a pessoa deve permanecer detida para não atrapalhar o caso — foi cumprida na avenida Getúlio Vargas. No sábado (17/10), a Justiça negou um pedido de habeas corpus (tradução livre: pedido judicial para libertar alguém) e manteve o ex-secretário preso. O desembargador Luiz Fernando Vaggione indeferiu a liminar. Após a ação, a Prefeitura de Bauru informou em nota que o secretário foi exonerado do cargo.

Condutas suspeitas na madrugada

Documentos do MP aos quais a TV TEM e o g1 tiveram acesso apontam que Purini adotou condutas consideradas suspeitas na madrugada em que o mandado foi cumprido. Ele saiu de casa e circulou de carro por ruas próximas à sede do Ministério Público e da Prefeitura Municipal. Segundo o Procedimento Investigatório Criminal (PIC) do Gaeco, ele não estava no condomínio do casal durante o final da madrugada e o início da manhã de sexta (16), mas circulando por áreas da Zona Sul da cidade.

O trajeto chamou a atenção das equipes: em vez de seguir diretamente a um destino, Purini transitou pelas proximidades da sede do Ministério Público, passou pela região da Prefeitura e retornou às imediações de seu próprio condomínio, passando novamente em frente ao local sem nele ingressar. Ele não teria entrado em nenhum dos estabelecimentos. O comportamento é investigado sob a suspeita de tentar se antecipar à atuação policial e dificultar a efetividade das medidas judiciais.

"Justamente em razão dessas circunstâncias, da forma incomum como se deslocava e da existência de ordem judicial de prisão, Renato foi abordado em via pública, na avenida Getúlio Vargas", diz trecho do documento. O MP afirma que as circunstâncias ainda demandam aprofundamento, mas não podem ser desconsideradas. "Deve ser verificada eventual intenção de fuga", conclui o texto.

Moradores do condomínio onde ele e a prefeita moram informaram à reportagem que acordaram assustados com o som e as luzes dos giroflex das viaturas da Polícia Militar acionadas dentro do residencial, na Zona Sul. Após a abordagem, os policiais acompanharam o ex-secretário até sua residência e, posteriormente, à Prefeitura Municipal, onde também foram cumpridos mandados de busca e apreensão.

Troca de celular

O MP também aponta que Purini trocou de aparelho celular logo após a deflagração da primeira etapa da operação, realizada no início de setembro. Procurada pelo JCNET na sexta-feira (19), a Secretaria de Comunicação da prefeitura informou que não vai se posicionar porque o caso ocorreu fora do âmbito institucional.

O que é investigado

A operação apura suspeitas de fraude, corrupção e organização criminosa relacionadas à licitação da concessão dos serviços de gestão de resíduos sólidos urbanos, ou seja, o lixo da cidade. O processo previa uma concessão pelo período de 30 anos e tinha valor estimado em aproximadamente R$ 5,2 bilhões. A licitação acabou cancelada. Na primeira fase da operação, deflagrada em setembro, sete pessoas foram presas. Desde então, a investigação teve novos desdobramentos e passou a analisar a atuação de agentes públicos e particulares envolvidos no processo de contratação.

Segundo a representação cautelar apresentada pelo Gaeco à Justiça em 14 de outubro de 2026, no âmbito da segunda frente de investigação derivada da Operação Cavalo de Troia, o Ministério Público aponta indícios de que Purini teria recebido vantagens indevidas relacionadas à concessão. Os pagamentos teriam sido intermediados por um advogado e formalizados por meio de documentos de prestação de serviços jurídicos.

Entre os valores identificados pelos investigadores estão uma nota fiscal de R$ 750 mil, que teria sido emitida e paga, e uma cobrança adicional de R$ 90 mil. O próprio MP ressalva que ainda é necessário esclarecer o montante total envolvido, o caminho percorrido pelo dinheiro e a identidade de todos os destinatários finais. As imputações apresentadas pelo Ministério Público não equivalem a uma condenação.

As investigações apontaram que o ex-secretário de Governo era a “figura política” de que a organização criminosa precisava para garantir a aprovação do projeto de concessão do lixo e atender aos interesses do grupo.

Prisão domiciliar de outra investigada

A investigada Talita Andrade passou a cumprir prisão domiciliar na quinta-feira (15). A decisão judicial ocorreu após pedidos da defesa.

Entenda os termos:

  • Prisão preventiva: medida judicial usada durante a investigação, quando a Justiça entende que a pessoa deve permanecer detida para não atrapalhar o caso.
  • Habeas corpus: pedido judicial para libertar alguém.
  • Licitação: processo de concorrência pelo qual o poder público escolhe empresas para prestar serviços ou fornecer produtos.
  • Concessão: contrato em que a prefeitura transfere a uma empresa a exploração de um serviço público por determinado período.
  • Prisão domiciliar: cumprimento da pena ou da medida cautelar na própria casa, e não em presídio.

FONTES: Fonte 1: https://sampi.net.br/bauru/noticias/3011880/politica/2026/10/secretario-renato-purini-e-preso-na-operacao-cavalo-de-troia

Fonte 2: https://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2026/10/19/mp-investiga-se-ex-secretario-e-marido-de-prefeita-de-bauru-tentou-fugir-antes-de-ser-preso-em-operacao-contra-fraude-em-licitacao.ghtml

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