quinta-feira, 5 de novembro de 2026
Política· ⏱ 7 minutos de leitura

Suéllen Rosim nega desvios e diz que não pode responder por mensagens interceptadas

Suéllen Rosim nega desvios e diz que não pode responder por mensagens interceptadas
Prefeita de Bauru, Suéllen Rosim, ao lado do marido Renato Purini, que foi exonerado do cargo de secretário de Governo. Foto: João Tardivo—📸 Fonte da imagem: 96FM [(clique aqui para ver a matéria lá)]

A prefeita de Bauru, Suéllen Rosim (PSD), publicou um vídeo nas redes sociais nesta terça-feira (20) para se manifestar pela primeira vez após a prisão do marido e ex-secretário de Governo, Renato Purini. Ela negou irregularidades e afirmou que precisou de alguns dias para entender os acontecimentos, cuidar da família e da gestação antes de se posicionar publicamente.

No pronunciamento, Suéllen declarou que não pode responder por conteúdos e conversas interceptadas pelas investigações do Ministério Público de São Paulo (MP-SP). "Muitas coisas estão sendo ditas: falas, mensagens e, gente, falas e mensagens pelas quais eu não posso ser responsabilizada", disse a prefeita.

Suéllen também negou a existência de desvios de recursos públicos ou a assinatura de contrato bilionário para a gestão do lixo no município, projeto estimado em R$ 5,2 bilhões ao longo de 30 anos e que é o foco central das apurações do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado). "Falam de desvio de recurso público, de bilhões de reais, de contrato bilionário assinado e eu vou reafirmar aqui: não houve contrato assinado de bilhões de reais e eu jamais compactuaria com o desvio de dinheiro público. Eu acredito que tudo vai ser esclarecido no momento oportuno e no lugar certo, até porque eu reafirmo também o meu respeito ao Ministério Público e ao trabalho do Judiciário", declarou no vídeo.

A prisão de Purini ocorreu em 16 de outubro, durante uma nova fase da Operação Cavalo de Troia, conduzida pelo Gaeco. O Ministério Público investiga se o ex-secretário tentou fugir antes da abordagem policial. Um documento ao qual a TV TEM teve acesso mostra que Purini adotou condutas consideradas suspeitas na madrugada em que o mandado de prisão foi cumprido: ele saiu de casa e circulou de carro por ruas próximas à sede do Ministério Público e da Prefeitura Municipal.

A Justiça manteve a prisão preventiva do ex-secretário. O magistrado indeferiu o pedido de soltura feito pela defesa. A prisão preventiva é uma medida usada durante a investigação, com prazo definido, para garantir o andamento do caso.

Segundo as investigações, mensagens interceptadas indicam que Purini recebeu pagamentos indevidos da empresa Estre Ambiental. Os repasses eram ocultados por meio de um intermediário, o advogado Marcos Libanore Caldeira, que recebia os valores sob a justificativa de serviços jurídicos e depois os repassava ao ex-secretário. A operação apura fraude em licitação de R$ 5,2 bilhões para gestão de resíduos, com duração prevista de 30 anos, e o esquema teria envolvimento de outros agentes públicos e privados.

No mesmo dia da prisão, a prefeita prestou depoimento na tarde de 16 à Comissão Processante (CP) do Lixo, na Câmara Municipal. A comissão é um colegiado de vereadores que investiga a conduta da prefeita e pode levar à cassação do mandato. Ela foi proposta pelo vereador Eduardo Borgo (Novo) e acatada pela Câmara em setembro passado. O plenário da Casa ficou lotado, todos os vereadores compareceram, e a sessão foi transmitida pela TV Câmara.

O processo apura possíveis infrações político-administrativas de Suéllen ligadas à concessão dos serviços de resíduos sólidos e uma suposta omissão diante das investigações de fraudes conduzidas pelo Ministério Público por meio do Gaeco. A prefeita depôs ao lado do advogado Jeferson Machado. Durante a oitiva, os vereadores puderam indagar a prefeita sobre tudo o que tem sido apresentado, inclusive sobre a prisão do marido dela, ocorrida no mesmo dia.

Por volta das 6h do dia 16, promotores do Gaeco, com apoio do Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia), cumpriram mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva na residência de alto padrão do casal, num condomínio de luxo na zona sul de Bauru. Purini chegou algemado à sede da prefeitura, onde buscas foram feitas no gabinete em que trabalhava como secretário de Governo, o cargo mais alto e mais próximo à prefeita. Na chegada à delegacia, já sem algemas, ele e o advogado que o representa preferiram não se manifestar.

Segundo o MP-SP, Purini atuava como a “figura política” de que a organização criminosa precisava para garantir a aprovação do projeto de concessão do lixo e atender aos interesses do grupo. A informação consta no documento do Ministério Público de São Paulo que fundamentou a prisão preventiva. De acordo com as investigações, mensagens interceptadas indicam que ele teria recebido pagamentos da Estre Ambiental para articular apoio político e influenciar os bastidores da votação do projeto na Câmara Municipal.

Em uma das conversas interceptadas, em 2025, Purini enviou o contato do advogado à então secretária municipal do Meio Ambiente, Cilene Chabuh Bordezan, e reclamou que ninguém havia procurado o defensor. Cilene encaminhou a mensagem ao CEO da Estre Ambiental, Hamilton Libório Agle, que se identificou como amigo do marido da prefeita e marcou um encontro com o advogado. A investigação aponta que Cilene mantinha relação amorosa com o CEO, o que permitia a elaboração de pareceres pela concessionária.

A investigação identificou que a Estre chegou a emitir uma nota fiscal de R$ 750 mil para o escritório do advogado. Para o Gaeco, há indícios de que o pagamento não foi um episódio isolado, mas parte de uma remuneração recorrente que teria como destinatário final Purini. Em outra conversa, o ex-secretário teria cobrado um valor adicional de R$ 90 mil. Num dos diálogos entre Hamilton Agle e Cylene Bordezan, o CEO da Estre disse que Renato se posicionou como sócio e teria afirmado: “Ou você me dá uma participação, ou a gente faz um valor aí e você me paga de uma vez”. Em outro diálogo, Renato pede uma quantia entre 30 e 40 milhões de reais.

Segundo os investigadores, Purini e Cilene usavam expressões relacionadas a honorários advocatícios para disfarçar a natureza dos pagamentos. Nas mensagens encaminhadas aos executivos da empresa, porém, a então secretária indicava que os valores seriam destinados diretamente a Purini. Em algumas ocasiões, Cilene dizia a Hamilton que Purini havia entrado em contato para cobrar os repasses e mencionava que “a chefa” cobrava informações sobre o andamento do processo.

Em dezembro de 2025, durante a votação do projeto de concessão dos serviços de gestão do lixo, ele e Cilene teriam discutido estratégias para acelerar a aprovação da proposta na Câmara Municipal, durante uma mesma sessão legislativa. Nas conversas, Purini afirmou que acompanhava de perto a movimentação dos vereadores e disse ter se reunido com nove parlamentares na véspera da votação. Em uma das mensagens, reclamou que precisou segurar dois vereadores no estacionamento da Câmara para pressionar pela aprovação do projeto.

Os diálogos também mencionam a vereadora Estela Almagro (PT), que, segundo as mensagens descritas na investigação, teria recebido dinheiro para viajar no dia da votação, mas acabou não deixando a cidade. Procurada pela TV TEM para comentar as menções ao seu nome, a vereadora não se posicionou até a publicação da matéria. Em outro trecho, Purini criticou o presidente da Câmara, Markinho Souza (MDB), a quem chamou de “muito fraco” pela demora na condução dos debates, e Cilene concordou com a avaliação.

A investigação mira um suposto esquema criminoso relacionado à estruturação e à condução da concessão dos serviços de resíduos sólidos em Bauru, envolvendo contrato estimado em aproximadamente R$ 5,2 bilhões, com duração prevista de 30 anos, além de possíveis ajustes com vereadores. Trata-se do maior contrato da história do município, segundo as apurações. O grupo atuava para direcionar o edital à Estre Ambiental.

Entenda os termos:

  • Comissão Processante (CP): colegiado de vereadores que investiga a conduta de um agente político e pode recomendar a cassação do mandato.
  • Prisão preventiva: medida judicial usada durante a investigação, com prazo definido, para garantir o andamento do caso.
  • Gaeco: Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, do Ministério Público.
  • Baep: Batalhão de Ações Especiais de Polícia, da Polícia Militar.
  • Licitação: processo pelo qual o poder público escolhe empresas para prestar serviços ou fornecer produtos.
  • Concessão: contrato em que a prefeitura transfere à iniciativa privada a exploração de um serviço público por determinado período.

FONTES: Fonte 1: https://96fmbauru.com.br/suellen-exonera-o-marido-renato-purini-do-cargo-de-secretario

Fonte 2: https://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2026/10/20/prefeita-suellen-rosim-se-manifesta-apos-marido-ser-preso-em-bauru.ghtml

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