quinta-feira, 5 de novembro de 2026
Segurança· ⏱ 4 minutos de leitura

Audiência sobre rombo na Apae Bauru é adiada para fevereiro de 2027

Audiência sobre rombo na Apae Bauru é adiada para fevereiro de 2027
Roberto Franceschetti Filho acompanhou presencialmente audiência da 1ª Vara Criminal de Bauru, em agosto. Divulgação ao JCNET—📸 Fonte da imagem: sampi.net.br [(clique aqui para ver a matéria lá)]

A Justiça adiou para 25 de fevereiro de 2027 a audiência que seria realizada nesta quinta-feira (5) na 1ª Vara Criminal do Fórum de Bauru, onde seriam ouvidas testemunhas e réus do processo criminal por peculato — apropriação de dinheiro público por funcionário ou pessoa com acesso a ele — que apura desvios milionários na Apae Bauru. O adiamento ocorreu devido à transferência do juiz Jair Antonio Pena Junior para a comarca de Araçatuba. O caso passou para o juiz Marcio Augusto Zwicker Di Flora, que identificou a impossibilidade de realizar a audiência nesta data por causa de outras audiências já marcadas. O promotor responsável é Fernando Masseli Helene.

Segundo apurou o JC/JCNET, quem perde com o adiamento é a própria Apae Bauru, que já foi prejudicada em pelo menos R$ 7,5 milhões nos últimos cinco anos, além da população de Bauru interessada no rápido desfecho do caso. Sete pessoas já foram presas pela Polícia Civil, mas foram soltas pela Justiça no processo de peculato.

Conforme o JC/JCNET vem noticiando, o ex-presidente da Apae Bauru Roberto Franceschetti Filho, condenado em primeira e segunda instâncias a 22 anos e seis meses de reclusão por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver da ex-secretária-executiva da entidade Claudia Regina da Rocha Lobo, também é réu dos desvios financeiros. Em agosto passado, houve a audiência de instrução em segunda instância na sala 36 da 1ª Vara Criminal de Bauru.

Além de Roberto, são investigados neste processo de peculato, segundo a Polícia Civil: Letícia da Rocha Prado Lobo (filha de Claudia Lobo), Ellen Souza (irmã de Claudia Lobo), Renato Golino, Gisele Aparecida Tavares, Diamantino Passos (cunhado de Claudia Lobo), Izabel Cristina, Persio de Jesus (ex-marido de Claudia Lobo), Maria Lúcia Miranda, Felipe Figueiredo, Fernando Sheridan Rocha Roreira, Gabriel Gomes da Rocha Rodrigues e Renato Tadeu de Campos. Tanto a Delegacia de Homicídios de Bauru quanto o Setor Especializado de Combate aos Crimes de Corrupção, Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro (Seccold) da Polícia Civil destacam que se formou na Apae, naquela época, uma quadrilha que resultou em disputa de poder na instituição. Os desvios foram cometidos, segundo o Seccold, por Claudia Regina Lobo (R$ 1,8 milhão), Roberto Franceschetti Filho (R$ 5,8 milhões), assim como outros acusados. A investigação apontou que os suspeitos se referiam aos valores como “adiantamento a fornecedores”.

Neste processo, Roberto tem como advogado José Roberto Curtolo Barbeiro. Já a defesa de Letícia e dos demais familiares de Claudia Lobo é composta por Alisson Caridi, Cibele Maia Prado e Rafael José Frabetti. O espaço do JC/JCNET permanece aberto para manifestações.

Relembre o caso

Investigações do Seccold apontaram que, em cinco anos, ao menos R$ 7,5 milhões foram desviados dos cofres da Apae Bauru. Além de Roberto e Letícia, outros sete réus respondem no processo, a maior parte deles familiares de Claudia, supostamente beneficiados pelos desvios. Eles são acusados de organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro. De acordo com o Seccold, os crimes envolveram superfaturamento de contratos, emissão de notas frias, pagamento de salários a funcionários fantasmas, empréstimos de dinheiro da entidade a terceiros com cobrança de juros, uso de conta paralela para movimentação de recursos e transferências lançadas na contabilidade como bonificações ou “adiantamentos a fornecedores”.

Eles estão soltos hoje:

  • Diamantino Passos Campagnucci Júnior: marido de Ellen Lobo, irmã de Claudia Lobo, envolvido nos desvios segundo a Polícia Civil. Ele seria proprietário de uma empresa em Agudos que, de acordo com as investigações, emitia notas fiscais frias (sem que houvesse serviço prestado) para a Apae.
  • Ellen Siuza Rocha Lobo: irmã de Claudia Lobo e envolvida nos desvios, segundo a Polícia Civil.
  • Renato Tadeu de Campos: policial militar aposentado, é ligado a uma empresa de segurança registrada em nome de uma parente. A empresa prestava serviços para a Apae, de acordo com as investigações. Está envolvido nos desvios segundo a Polícia Civil.
  • Letícia da Rocha Prado Lobo: filha de Claudia Lobo, é apontada como envolvida nos desvios na Apae, segundo a Polícia Civil.
  • Maria Lúcia Miranda: contadora e coordenadora financeira da Apae Bauru. Ela está envolvida no esquema, segundo a Polícia Civil.
  • Pérsio de Jesus Prado Júnior: ex-marido de Claudia Lobo e pai de Letícia (filha de Claudia), também presa. É apontado como envolvido nos desvios segundo a Polícia Civil.
  • Renato Golino: ex-coordenador financeiro da Apae, venceu um sorteio realizado pela própria entidade em 2020, quando levou um Chevrolet Onix para casa, segundo a Polícia Civil.
  • Felipe Figueiredo Simões: até o momento não há informações sobre quem seria Felipe. Ele não foi preso à época – policiais não o localizaram no endereço do mandado de prisão.

O adiamento da audiência prolonga a espera por uma definição judicial sobre o desvio de recursos que deveriam sustentar o atendimento da Apae Bauru, instituição que presta serviços assistenciais na cidade. A nova data, 25 de fevereiro de 2027, mantém o caso em tramitação na 1ª Vara Criminal de Bauru, sob responsabilidade do juiz Marcio Augusto Zwicker Di Flora.

Compartilhar: WhatsApp Facebook X Telegram

💬 Comentários0

Nenhum comentário ainda

Seja o primeiro a comentar pelo Facebook ou Instagram!

Quer comentar nesta notícia?

Comentários são importados automaticamente do Facebook e Instagram. Comente na postagem original da notícia e seu comentário aparecerá aqui!

🔒 Seus dados ficam no Facebook/Instagram. Notícia Digital Bauru não armazena senhas.